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Segurança energética é central na nova estratégia da OTAN

22 de novembro de 2010

Carta Capital
22 de novembro de 2010 às 8:23h

Segurança energética é preocupação central em nova estratégia da Otan

Simone Cunha e Vitor Sorano

Em plano que coloca parcerias como centrais, Portugal tenta chamar a atenção para o Atlântico Sul Fornecimento e distribuição de energia são preocupação central do plano da Otan para os próximos 10 anos, apresentado há pouco em Lisboa. A segurança cooperativa é um dos três pontos do plano, que prevê parcerias com países de fora do bloco e aborda a necessidade de agir além das fronteiras. Portugal, que simbolicamente abriga o evento, tenta apontar os holofotes o Atlântico Sul, movimento rechaçado pelo ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim.

Os outros dois pontos centrais são defesa conjunta e gerenciamento de conflitos. O plano apoia a não proliferação de armas nucleares, mas mantém o arsenal da organização enquanto elas existirem no mundo. O terrorismo divide a preocupação com o tráfico de pessoas, armas e drogas além das fronteiras.

“Alguns países da Otan se tornarão cada vez mais dependentes de reservas energéticas estrangeiras e, em alguns casos, redes de distribuição para garantir suas necessidades. Como a maioria do consumo mundial é transportada através do globo, os suprimentos de energia estão mais expostos a cortes”, diz o documento. A diretriz defende proteção dessas regiões em parcerias com participação ativa dos parceiros.

“Eu não vejo nada que poderia impedir o crescimento das relações entre a Otan e o Brasil”, diz à Carta Capital Troels Froling, secretário-geral da Associação do Tratado do Atlântico, que promove a Otan a nível civil, e ex-professor do colégio da aliança. “É uma vantagem para os dois”, diz David Cole, da ONG Conselho Atântico do Reino Unido.

Na imagem, o secretário geral da Otan Anders Fogh Rasmussen (esquerda) e o primeiro ministro de Portugal Jose Socrates Carvalho Pinto de Sousa. Foto: Miguel Riopa/AFPNa imagem, o secretário geral da Otan Anders Fogh Rasmussen (esquerda) e o primeiro ministro de Portugal Jose Socrates Carvalho Pinto de Sousa. Foto: Miguel Riopa/AFP

Além das descobertas de petróleo – que, no caso brasileiro, podem colocar o país entre os 10 maiores produtores do mundo -, o atlântico sul vem ganhando importância como rota marítima internacional. “O novos petroleiros e navios de contêineres já não conseguem passar pelo Canal de Suez. Estamos falando de rotas marítimas absolutamente cruciais para europa ocidental”, diz Carlos Gaspar, presidente do Instituto Português de Relações Internacionais e um dos convidados a falar no encontro da Juventude Atlanticista, que ocorre junto com a Cúpula.

Na reunião dos ministros da defesa dos países de língua portuguesa no início do mês, Jobim exortou os africanos a alargarem suas fronteiras marítimas como forma de inibir a “ingerência estrangeira” na região. Em setembro, também em Lisboa, declarou-se contra a proposta portuguesa de a Otan olhar para sul

“A Otan não quer se estender para o atlântico sul. No máximo quer abrir um diálogo com parceiros democráticos, previsíveis e que estão dispostos a assumir responsabilidades internacionais em termos de segurança”, diz Alfredo Valladão, responsável pela cadeira Mercosul no Sciences Po de Paris e também palestrante no evento. Para Juliana Bertazzo, pesquisadora da Fundação Berghof para Estudos de Conflito, da Alemanha, a região ainda não está entre os principais interesses da Aliança, estando mais preocupada com Leste Europeu, Oriente Médio e África.

http://www.cartacapital.com.br/internacional/seguranca-energetica-e-preocupacao-central-em-nova-estrategia-da-otan

One comment

  1. No caso do Jobim, não acho que o publicado pelo Wikileaks deva ser analisado de forma unidimensional, até porque os informes refletem opiniões pessoais e visões ideológicas de embaixadores/diplomatas.

    Não existem nos documentos expostos pelo site, análises de profundidade geoestratégica, que fujam dos “achismos” ou imagens pré-fabricadas.

    Pelo contrário, parece que Irã, Coreia, China são demônios globais e África é um continente salvo pela “humanidade” americana.

    O Jobim, por várias vezes, no processo de compra dos caças da FAB disse com todas as letras: os EUA não são confiáveis, não repassam tecnologia (além de criticar a quarta frota e mais uma série de outras ações e discursos que muitos, especialmente a direita mais cretina, o viam como um anti-americano).

    Isso que eu disse acima não transforma o Jobim em santo, mas também não acho que ele esteja destoando tanto assim do governo Lula.

    Muito pelo contrário, a pasta dele (a Defesa) seguiu a política geral do Brasil de buscar e ampliar parcerias diversasm assinando acordos tanto com a China (a Marinha do Brasil está treinando os pilotos navais chineses, por exemplo, entre outras coisas) como por exemplo, os EUA, a Inglaterra, a Itália, a África do Sul (com quem o Brasil está desenvolvendo mísseis avançados em aprceria), a Ucrania (parceria espacial) etc., além de criar a Unasul (um bloco de defesa sul americano).

    Mas o parceiro preferencial do MD vem sendo a França (submarinos convencionais e nucleares, helicópteros de transporte para as 3 forças e provavelmente os caças da FAB, entre outras) e não os EUA (uma política acertada ao meu ver), o que de certo modo transforma em “fumaça”, ou ao menos precisariam ser refletidos de outro modo, os informes do Wikileaks.

    Acho que nem tanto ao mar e nem tanto a terra. Nem o Jobim é um santo em termos políticos (da política partidária brasileira) e nem tão pouco é o demônio da política externa brasileira.

    Sincera e honestamente, acho que estão fazendo uma repercussão sem análise e sem reflexão…
    diria até o seguinte, estão pegando o Jobim pra cristo, pelo fato de ele ter relações com o Serra e coisas assim. vejo um “quê” de sectarismo nisso tudo. Mas enfim…



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