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Crescimento do PIB brasileiro em 8% deve aumentar demanda energética

11 de novembro de 2010

Fator Brasil

10/11/2010

Brasil cresce 8% em 2010

Estimativa foi feita na abertura do XIII Congresso Brasileiro de Energia

Paula Guatimosim

A produção industrial teve um crescimento acelerado no Brasil na última década, aumentando ainda mais a demanda por energia

Rio de Janeiro – O crescimento do PIB em 8% este ano e superior a este percentual no ano foi a informação alvissareira da solenidade de abertura do XIII Congresso Brasileiro de Energia, na manhã de terça-feira no Centro de Convenções da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Organizado pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), a mesa de abertura contou com a participação do Ministro de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmerman, do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e do professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.

 

As vendas de computadores, dentre outros eletrodoméscitocs, cresceu significativamente no Brasil

Para a surpresa dos participantes, Gabrielli avisou durante seu pronunciamento que não falaria em Pré-Sal, tema que acabou abordando durante a coletiva de imprensa posterior. “O fato de existir o Pré-Sal não nos exime da responsabilidade de sermos produtores de bio-combustíveis”, lembrou, e citou a Petrobras como a terceira maior empresa de etanol do país. Para Gabrielli, a crise da Bolívia serviu como um aprendizado ao país, que desde então investiu US$ 23 bilhões na produção e distribuição de gás. Com isso, a infra-estrutura do setor saltou de uma rede de 5.600 km em 2003 para 9.600 km em 2010, enquanto a distribuição cresceu de 36 milhões de m³ para 62 milhões de m³ no mesmo período, “com picos de 84 milhões de m³ no segundo semestre”, completou.

A abertura dos trabalhos começou com informações de Ronald Thadeu Ravedutti – presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) – sobre o desenvolvimento da logística do carro elétrico no projeto desenvolvido por Itaipu Binacional, em São José dos Pinhais (PR). Ele comentou a abertura de novas vagas em função do desenvolvimento econômico e lembrou a dificuldade de captar recursos para investimentos no Brasil. “Espero que o Congresso ajude as empresas a encontrar esse caminho”, sugeriu. Jorge Miguel Samek, Diretor Geral da Itaipu Binacional, falou em seguida e destacou o papel da Coppe na retomada de investimentos no modelo de energia limpa que, segundo ele, estava estagnado. “O projeto estava há anos engavetado”, disse.

O diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, citou a expectativa de crescimento de 8% para 2010 e garantiu que o setor está preparado para alcançar o objetivo. “Temos recebido muito apoio do governo para promover a integração regional do sistema e procuramos viabilizar outros projetos para promover a integração da América Latina”, anunciou. Haroldo Borges Rodrigues Lima, diretor da Agência Nacional de Petróleo, falou em crescimento superior a 8% no ano que vem. Em relação ao Pré-Sal, Lima defendeu a exploração através de contrato de partilha “para assegurar o controle do ritmo da produção”, além da criação de uma estatal, para gerir a exploração, e de um fundo social. “Ao mesmo tempo precisamos intensificar a produção do biodiesel”, propôs.

José Antonio Muniz Lopes, presidente da Eletrobras, elogiou o “momento excepcional” do setor de energia elétrica no Brasil, atribuído por ele ao modelo adotado no país. “Estamos com cinco hidrelétricas de médio e grande porte para inaugurar, caminhamos agora para Tapajós (cuja capacidade instalada é de 6.138 MW), além de Itaipu, Angra 3 e do papel estratégico da energia eólica”, acrescentando que a energia elétrica atende a praticamente todo o Brasil.

Gabrielli falou antes do professor Pingelli Rosa que, ao contrário dos palestrantes que o antecederam, se dedicou a apontar problemas e soluções. Citou o acidente no Golfo do México, causado pela British Petroleum (BP) como um alerta para a exploração de óleo em águas profundas. “Risco zero não existe”, alertou, defendendo também o modelo de partilha. “Os países produtores, como a Venezuela, têm muitos problemas. A Noruega é uma exceção e é esse o modelo que o Brasil quer trilhar”, destacou. Pinguelli lembrou ainda que, como não é possível aumentar o volume de água nos rios, a alternativa seriam as usinas a fio de água, que geram energia não a partir do acúmulo, mas do fluxo da água do rio.

O ministro Zimmerman destacou o papel da Coppe na retomada do planejamento do setor energético e nas pesquisas sobre petróleo e gás, para as quais o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, também contribuiu. Elogiou o consumo de etanol no país superior ao de gasolina, proporcionado pelos carros flex, e o fato de a Petrobras explorar 23% do petróleo mundial em águas profundas, “que será a grande fronteira do setor”.

O presidente do Conselho de Energia da Firjan, Armando Guedes Coelho, destacou a importância do tema energia no mundo atual, “associado ao aumento do consumo de forma sustentável”. Nesse aspecto, para ele, o Congresso tem papel fundamental, “para mostrar quais os melhores caminhos”, concluiu.

Os desafios da exploração do pré-sal e qualidade de vida – Antes que ocorra algum acidente com a exploração do Pré Sal, já está sendo projetado pela Petrobras um equipamento de contenção submarina. E mais: existe um plano nacional de contingência, centralizado pelo governo federal, para mover recursos técnicos e humanos que começará a ser simulado em 2011. A notícia foi antecipada na tarde desta terça-feira por Solange da Silva Guedes, gerente executiva de Engenharia de Produção da Petrobras, na mesa Desafios da Exploração do Pré Sal e Qualidade de Vida, coordenada pelo professor Alexandre Szklo, da Coppe.

A informação surgiu no XIII Congresso Brasileiro de Energia a partir de uma pergunta da platéia, que refletia o temor gerado pelo acidente do Golfo do México. “O acidente foi decisivo, depois dele tudo será diferente”, afirmou o professor Luiz Eduardo Duque Dutra, da Agência Nacional de Petróleo, que já havia destacado em seu pronunciamento a competência do mercado regulador brasileiro. “O Brasil aprendeu a fazer planejamento energético, cabe a nós provar ao mundo que somos capazes”, ponderou Dutra, para quem o Pré Sal é a alavanca que faltava para o Brasil crescer.

Solange apresentou números abissais: em cinco anos, a partir de 2001, a Petrobras cresceu 4,6%, enquanto a gigante BP encolheu 0,1%. De 2010 a 2014, a empresa vai investir US$ 224,1 bilhões, sendo que serão destinados US$ 4 bilhões à exploração em geral. Cinquenta e um por cento das concessões da estatal estão em águas profundas e o Pré Sal abrange uma área de 149 mil km², sendo que 72% dessas reservas ainda não foram exploradas. Há 120 universidades e 70 instituições nacionais e internacionais envolvidas no desenvolvimento de tecnologia para exploração de águas profundas.

 

Armando Guedes Coelho, presidente do Conselho de Energia da Firjan, deu uma espécie de aula de geologia. Explicou que há 164 milhões de anos os continentes formavam uma só placa. A posterior divisão entre o Brasil e África gerou uma deposição de matéria orgânica que deu origem ao petróleo. Segundo ele, o óleo da Bacia de Campos, que seria um vazamento da camada do Pré Sal, é mais pesado que o de águas profundas porque as bactérias não conseguiram sobreviver a tal profundidade. “Por isso, a parcela que está embaixo é bem maior do que a que está em cima”, ensinou.

Para Coelho, o Brasil ainda não está preparado para atender a demanda prevista pela exploração do Pré Sal. “O desafio da qualificação é grande, mas por trás disso existe algo ainda maior: a educação acima de tudo”.

Mudanças climáticas, energia e qualidade de vida – Coordenador da última mesa redonda do dia, o jornalista André Trigueiro ressaltou que a grande concentração de oportunidades de trabalho para os jovens na área energética está justamente na exploração do Pré Sal, que ele considera “a energia certa no século errado”, por ser derivada de fonte fóssil. Considerado um dos arautos das consequências das mudanças climáticas, o jornalista chamou a atenção do público para a mudança da matriz energética – de elétrica para eólica -, para a mudança do mapa da produção agrícola, em função das intempéries climáticas, e para a necessidade de monitoramento das zonas costeiras e da efetiva certificação de automóveis. Finalizando, destacou a importância do Ministério das Minas e Energia, que, em sua opinião, deveria agregar também a pasta de Mudanças Climáticas e não ser utilizado para completar cotas políticas.

 

Israel Klabin, presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, salientou que dentre as principais preocupações mundiais, 22% da população brasileira considera as climáticas e 32% a violência, enquanto países desenvolvidos como a França, 21% se preocupam com as mudanças do clima; mesmo percentual de temor contra o terrorismo e com a violência. Klabin lembrou que a energia responde por 65% das emissões mundiais dos gases de efeito estufa e, por isso, sem a alteração das políticas vigentes, o mundo caminha para mudanças com consequências catastróficas para a vida do planeta. Ele destaca os impactos geopolíticos e as migrações populacionais delineando uma nova globalização e defende a mudança do modelo de desenvolvimento econômico e de consumo atuais. Deu o exemplo da população de Nova York, que consome a mesma quantidade de energia que a África sub-sahariana. “Não há inclusão social sem o acesso à energia limpa”, concluiu.

 

O professor Luiz Pinguelli Rosa, presidente do CBE, lembrou que 75% do consumo mundial de energia advêm de fontes fósseis, mas que o foco no Brasil é a redução dos desmatamentos, responsáveis por maior parte das emissões, enquanto na China é o carvão. Criticou o Programa Luz para Todos de “estica fio”, pois, em sua opinião, deveria ser focado em energia solar e eólica. No caso do Pré Sal, Pinguelli defende o modelo Norueguês de exploração, bastante cauteloso.

Em defesa das usinas nucleares falou o assessor da presidência da INB, Luiz Filipe da Silva. Segundo ele, o Brasil tem hoje 441 reatores nucleares, que representam 15% da geração mundial. Há no mundo mais 58 reatores em construção, liderados pela China e Rússia. Ele ressaltou que não há dificuldade para o Brasil executar o PNE até 2030. As reservas de urânio superam a demanda e poderão suprir também as necessidades de fosfato, insumo importante para a agricultura.

 

Paula Guatimosim

 

http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=136830

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