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Editorial de 05 de outubro de 2010

5 de outubro de 2010

Nunca acreditamos que fosse possível a qualquer veículo de comunicação, ou a qualquer comunicador, ser imparcial. A imparcialidade ou neutralidade são conceitos abstratos e ideais que não existem de forma plena no mundo real. Na vida política simplesmente são inviáveis, pois se declarar neutro ou imparcial significa tomar partido e apoiar determinada posição, mesmo que esta seja deixar tudo como está. Ao escrever, seja de forma analítica, dissertativa ou descritiva, enfrentamos sempre o mesmo problema de fotografar ou filmar determinado evento ou realidade: estamos sempre recortando parte da realidade, selecionando partes da realidade, priorizando aspectos da realidade. Estamos sempre nos referindo, descrevendo ou coletando imagens de partes da realidade, sempre adotando determinada perspectiva que é limitada por um determinado ponto de vista.  Isto sempre ocorre, seja porque certos aspectos da realidade nos interessam mais ou porque estamos sempre limitados a perceber apenas determinadas parcelas da realidade.

Entretanto, saber da impossibilidade real da chamada “imparcialidade” não impede que determinado veículo de comunicação ou comunicador procure mostrar diferentes pontos de vista, a fim de reduzir a parcialidade, dentro do que é possível e dentro dos limites humanos.  Na área política isto é ainda mais complexo, seja quando tratamos de política nacional ou de política internacional,  seja quando analisamos  a Ciência Política, seja quando observamos os processos políticos do cotidiano, seja quando consideramos políticas públicas, processos de tomada de decisão política, planejamento, negociações ou alianças políticas, estamos sempre lidando com posições que envolvem opiniões, debates e diferentes perspectivas.

Para um analista que se propõe a debater, descrever ou analisar determinado tema envolvido diretamente na vida política nacional ou mundial, restam poucas opções para se alcançar algum grau de seriedade e cientificidade. Uma das formas de se preservar algum grau de isonomia é justamente assumir previamente perante seus interlocutores, a posição política que defendemos.

Este blog vem tratando do espinhoso tema da Geopolítica do Petróleo e da Segurança Energética a mais de um ano e em respeito aos seus leitores, sempre procuramos explicitar nossas fontes, tanto quando as notícias foram produzidas por outros veículos de comunicação, incluindo outros blogs parceiros, como nas ocasiões em que produzimos nosso próprio conteúdo, informações, notícias e opiniões.

O Brasil vive um momento político único e muito delicado, em que o país, após inúmeras crises, finalmente conseguiu alcançar um período de crescimento relativamente estável. Entretanto, a crise internacional não acabou e o Brasil sempre pode voltar a ser visto como um país fraco, como já aconteceu em um passado recente da nossa história. É nesta conjuntura que interpretamos a relevância das eleições de 2010 para o futuro do Brasil.

No 1º das eleições presidenciais a equipe de colaboradores deste blog não alcançou um consenso a respeito dos candidatos a serem apoiados, embora a maioria tenha se posicionado a favor da candidata do PT, Dilma Rousseff, tínhamos também apoiadores que votaram na candidata do PV, Marina Silva.

Com o resultado da apuração no 1º turno e a continuidade da disputa, agora entre Dilma e José Serra, nos reunimos e discutimos a necessidade de reafirmar um posicionamento. Assim, declaramos apoio à candidatura à Presidência de Dilma Rousseff, 13, do PT, pois acreditamos que esta é a candidatura que representa o projeto de um Brasil  que mais se aproxima daquilo que acreditamos: um Brasil menos desigual, mais justo, mais soberano, mais independente e menos submisso às grandes potências.

Para usar o bordão repetido pelo nosso Presidente, “Nunca antes na História deste País” um governo havia investido tanto em educação técnica e superior, em pesquisa e desenvolvimento científico e na ampliação da infra-estrutura do país. Alguns dos investimentos na infraestrutura, especialmente em Energia e Transportes, foram acompanhados  de perto nos nossos blogs, o  Diário do Pré-Sal e o Geopolítica do Petróleo , mas acompanhamos de perto também a ampliação da infra-estrutrura básica de saneamento básico, habitação, comunicações e de apoio à prestação de serviços públicos essenciais (saúde, educação e segurança).

O atual governo também reativou projetos na área de defesa que à muito estavam paralisados e retomou os investimentos nas Forças Armadas brasileiras. Embora as relações civis-militares no Brasil ainda sofram  com as tensões e com os “fantasmas” de um passado não tão distante assim, acreditamos que o distencionamento  dessas relações é fundamental para o fortalecimento da Democracia no Brasil e que, somente assim, o país terá credibilidade internacional, respeitabilidade e capacidade de liderança regional. Somente com democracia e instituições sólidas o Brasil poderá manter o crescimento e exercer a liderança regional sem dominação ou pretensões hegemônicas.

Embora todos tenhamos nossas críticas ao atual governo, consideramos que neste 2º turno está claramente em disputa o projeto de país para o Brasil. No passado o máximo que podíamos desejar era ter algum futuro. O Brasil de hoje, pela primeira vez, pode se perguntar o que quer ser no futuro. Parece-nos fundamental que o Brasil continue lutando para ter mais Soberania e Cidadania, para que possa continuar debatendo o que quer ser no futuro.

 

David Zylbersztajn, genro de FHC e diretor da ANP em seu governo, defendendo a privatização da Petrobrás: "ANP defende venda de refinarias da Petrobras" - O Estado de S. Paulo - 07/01/1999

David Zylbersztajn, genro de FHC e diretor da ANP em seu governo, defendendo a privatização da Petrobrás: "ANP defende venda de refinarias da Petrobras" - O Estado de S. Paulo - 07/01/1999

 

Se o Pré-Sal e a Petrobrás são fundamentais para o futuro do Brasil, não nos parece razoável manter uma aparente neutralidade nesta disputa eleitoral, em que um dos presidenciáveis, o candidato José Serra, representa a coligação PSDB-DEM. Isso porque a aliança entre o PSDB e o DEM (anteriormente nomeado como PFL), foi a aliança que viabilizou, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) as privatizações nefastas e perniciosas da infraestrutura de transportes, comunicações, energia elétrica, petróleo e gás no Brasil.

Não somos estatistas nem contrários à livre iniciativa, mas aquele modelo de privatizações foi um grave ataque à soberania nacional, pois entregou partes consideráveis da infraestrutura do país ao controle de corporações estrangeiras, muitas sediadas em países com disputas comerciais e econômicas históricas com o Brasil. Ao entregar a infraestrutura estratégica do Brasil para grupos estrangeiros, o governo FHC colocou em risco não apenas a capacidade do Estado Nacional de incentivar o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional, mas colocou em risco a capacidade do país de defender plenamente sua soberania e independência. Enquanto estes grupos político-partidários mantiverem uma postura política anti-Brasil, fica difícil aceitar da nossa parte, qualquer suposta neutralidade que possa favorecê-los, principalmente quando a volta daquela coligação ao poder pode significar mais retrocessos para o país.

Consideramos que a rápida ampliação da infraestrutura (energia, transportes, comunicações) e a integração regional são os maiores desafios do Brasil em um futuro próximo. Esperamos que a candidatura de Dilma aumente ainda mais os investimentos na infra-estrutura de energia do país, assim como no restante da infra-estrutura estratégica de transportes e comunicações. Mas esperamos também, que amplie e fortaleça a integração regional sul-americana, seja no fortalecimento do Mercosul, seja com a ampliação mais acelerada da infra-estrutura comum do continente através da IIRSA (Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana), como no fortalecimento da UNASUL e em iniciativas como o Conselho de Defesa da Sul-Americano.

Por tudo isso, na atual fase da disputa eleitoral, optamos pelo apoio à  Dilma Rousseff , por acreditar que a coalizão de partidos que sustenta sua candidatura à Presidência, representa um projeto de Brasil melhor e mais humano, com menos desigualdades sociais e mais desenvolvimento, em suma, com mais Cidadania e Soberania.

infraestrutura

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