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Brasil continua desenvolvendo tecnologias melhores para limpar petróleo no mar

15 de julho de 2010

A Petrobrás desenvolveu uma grande capacidade de prevenção, contenção e reparação de danos envolvendo acidentes com vazamento de petróleo. Em grande medida esta capacidade foi desenvolvida em conjunto com as Universidades públicas brasileiras, onde centenas de pesquisadores participaram do desenvolvimento de novas tecnologias de prevenção de acidentes ou de limpeza de óleo derramado em vazamentos.

Sabemos que nem sempre foi assim. A maior parte desta capacidade técnica foi desenvolvida na atual década, após uma série de graves acidentes que ocorreram na década de 1990, quando prevalecia o discurso neoliberal e o desmantelamento da empresa, que chegou a ter 2/3 de funcionários terceirizados, suas principais subsidiárias foram privatizadas e foram feitos novos leilões de ações da própria Petrobras S.A.  Naquela época a Petrobras passou a funcionar segundo a lógica do mercado, abandonando o planejamento de longo prazo em troca do lucro rápido a qualquer custo. Entre 1995 e 2002 ocorreram mais acidentes do que todos os que haviam ocorrido em toda a história da indústria petrolífera no Brasil, sendo que alguns chegaram a ser denunciados pelos sindicatos de petroleiros e pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás como sendo possíveis atos de sabotagem. A P-36 afundou e o governo FHC aproveitou o discurso da imprensa em defesa das privatizações para realizar dois leilões de ações da Petrobras SA, vendendo parte da empresa a estrengeiros. Restaram apenas 1/3 do total das ações da empresa sob controle estatal, reduzindo significativamente a capacidade do Estado brasileiro de controlar os rumos da exploração petrolífera no país. Não é a toa que pode-se classificar os anos 1990 como a “década do retrocesso”, pois o Brasil se endividou como nunca, vendeu suas melhores empresas, perdeu capacidade produtiva, dezenas de indústrias foram à falência ou foram compradas por estrangeiros, o PIB parou de crescer e as desigualdades sociais aumentaram. A crise que a Petrobrás enfrentou nos anos 1990 é apenas parte do quadro geral daquele período sombrio na história brasileira.

Apesar disso, a Petrobrás se reergueu, voltou a lucrar e se tornou uma das grandes empresas de petróleo e energia do mundo na atual década. A histórica capacidade de desenvolvimento tecnológico foi restabelecida. O aprendizado com os erros do passado, associado à volta do planejamento estratégico, de longo prazo, alçaram a Petrobrás a o posto de maior empresa do Brasil e uma das maiores do mundo, reconhecida internacionalmente pela liderança tecnológica na perfuração em águas ultraprofundas.

A notícia a seguir, do “UOL Notícias”, retrata mais uma das tecnologias recentemente desenvolvidas por pesquisadores de uma Universidade pública brasileira, a UFRJ, que tem inúmeros projetos de parceria com a Petrobrás. Todos sabemos que tecnologia não se desenvolve da noite para o dia, e que, em grande medida este é um esforço cumulativo, contínuo, que não pode ser interrompido a todo momento. A inconstância nos investimentos tecnológicos tem sido parte da história do país, e caso ocorra novamente em um futuro próximo, sofremos o risco de ficarmos novamente paralisados frente a qualquer desafio maior, como ocorreu na década do retrocesso dos anos 1990.

Entretanto, parece que nem todos aprendem com os erros do passado. Na Inglaterra, a BP foi privatizada e passou a ser gerenciada sob a mesma lógica que tanto mal fez à Petrobras nos anos 1990, do lucro máximo no curto prazo. O resultado mais claro é o gigantesco vazamento de petróleo que atualmente afeta vastas regiões do litoral sul dos EUA, no Golfo do México. Será que depois de um acidente deste porte os Estados Unidos vão tentar controlar melhor as empresas petrolíferas? Tudo indica que não, pois a mentalidade liberal-neoconservadora é muito forte nos EUA. Se considerarmos que até agora a crise financeira, a maior desde 1929, ainda não resultou em uma nova legislação para controlar os bancos e bolsas de valores de forma mais efetiva, talvez tudo continue como está, dependendo da boa vontade das grandes corporações petrolíferas privadas. Por enquanto, estas só se mobilizam quando suas taxas de lucro estão em risco.

Lucas K. Oliveira

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UOL Notícias

15/07/2010

Brasil desenvolve técnica para limpar petróleo no mar

Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 15 de julho (Reuters) – O Brasil descobriu uma maneira simples e eficiente de retirar petróleo do mar após acidentes como o ocorrido com a BP, cujo método de limpeza de um dos maiores vazamentos de petróleo em mar no mundo foi criticado por biólogos e ambientalistas.

No caso da BP, o óleo recolhido está sendo queimado e dispersantes químicos jogados no mar para diluir a mancha.

Na solução brasileira, não apenas é possível retirar quase todo o petróleo derramado no mar como aproveitá-lo novamente, dizem pesquisadores. O método ainda aproveita a glicerina gerada pela crescente produção de biodiesel no país.

O pulo do gato, segundo o professor do Instituto de Macromoléculas da UFRJ, Fernando Gomes de Souza Júnior, 35 anos, que liderou os estudos, foi transformar a glicerina produzida com o biodiesel em um material plástico o mais parecido possível com o petróleo, a partir de uma demanda do governo.

“Hoje em dia são 100 mil toneladas por ano de sobra de glicerina. O governo tem investido em pesquisa para o uso dessa glicerina e um desses casos é o nosso”, explicou à Reuters o professor capixaba que chegou há dois anos na UFRJ.

A previsão é de que em 2013, quando a mistura do biodiesel ao diesel no Brasil será elevada dos atuais 4 por cento para 5 por cento, sejam produzidas 250 mil toneladas de glicerina, produto que já é utilizado em detergentes, sabonetes e cosméticos.

“Por isso, consideramos esse produto viável comercialmente, porque a quantidade de glicerina que vai ser produzida é absurda e precisa de um destino para isso”, afirmou.

O método, testado com sucesso em laboratório e em processo de registro de patente, consiste em transformar a glicerina do biodiesel em pó, que é jogado sobre o petróleo derramado. A substância nessas condições se transforma em uma espécie de massa plástica flutuante.

“Acontece um fenômeno natural entre o petróleo e esse plástico, a absorção, porque os dois são igualmente hidrofóbicos e se afastam juntos da água”, explicou Souza Júnior.

Cada tonelada de glicerina retira 23 toneladas de petróleo, informou.

Para facilitar a retirada da mistura do mar, são acrescentadas partículas de ferro em escala nanométrica na massa plástica que pode ser então atraída por uma esteira magnetizada.

O petróleo, retirado junto à glicerina, recebe uma carga de querosene para ser filtrado.

“Na filtragem vai sair uma mistura de petróleo e querosene, isso pode ir para uma torre de destilação, ser fracionado, e seguir os processos petroquímicos convencionais”, informou.

Antes trabalhando com o óleo da castanha de caju, a pesquisa da UFRJ deslanchou após o governo incentivar projetos que aproveitassem a glicerina produzida pelo biodiesel, com objetivo de proteger a cadeia produtiva da glicerina animal.

“Com isso, a gente não quebra a cadeia produtiva que já existe e ainda reaproveita tanto o petróleo retirado como a própria glicerina utilizada”, avaliou, ressaltando que desde que foi iniciado o programa do biodiesel, o preço da glicerina vem caindo no mercado.

Financiada em parte pela UFRJ, os direitos da tecnologia foram transferidos para a universidade, que poderá se encarregar pela eventual comercialização do sistema.

Segundo Souza Júnior, uma fábrica para produção da glicerina usada no sistema pode ficar pronta em seis meses a partir do interesse de algum grupo em explorar a técnica.

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2010/07/15/entrevista-brasil-desenvolve-tecnica-para-limpar-petroleo-no-mar.jhtm

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