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Vazamento de petróleo no Golfo do México

14 de maio de 2010

A graphic posted by the U.S. coastguard and the industry task force fighting the slick shows its approximate location

 

Agência Petroleira de Notícias  

14/05/10

VAZAMENTO DE OLEO NO GOLFO DO MÉXICO     

 Por Emanuel Cancella
 

 

O derramamento de óleo no Golfo do México, provocado pela British Petroleum, nos leva a algumas reflexões. A primeira delas é que a indústria do petróleo é inexoravelmente agressiva ao meio ambiente.  E a segunda, e tão importante quanto, é que a busca pela obtenção de lucros crescentes não pode estar em primeiro lugar, em detrimento do bem estar de um país.

As multinacionais fora de seus países de origem, e neste caso, infelizmente, nem a Petrobrás escapa, praticam a produção predatória, aumentando em muito o risco de acidentes ambientais, como o este que vemos no Golfo do México. No Brasil, a Petrobrás é disparadamente é a empresa que mais investe em políticas de segurança meio ambiente e saúde. Será que as multinacionais instaladas aqui tem essa preocupação?

Aliás, não sei por que ainda não pediram ajuda formal à Petrobrás para conter o vazamento do Golfo do México.  Sem sombra de dúvida é a empresa que mais entende do assunto, tendo recebido, por duas vezes, o prêmio internacional por excelência na prospecção de petróleo em águas profundas.

Grande parte das empresas de petróleo é originária do Primeiro Mundo e lá essas empresas são zelosas, até porque as leis ambientais são rígidas. Estamos diante de um imbróglio sem solução, ao menos a curto prazo. Isto porque pelo menos para os próximos 50 anos, o petróleo continuará sendo  a matriz energética no mundo, e no Brasil não é diferente.
O Brasil, diga-se de passagem, deveria dar o exemplo ao mundo, minimizando o uso do petróleo. Basta para isso que passe a utilizar o próprio dinheiro da exploração do pré-sal para intensificar o uso de energia alternativa, por exemplo. Já que somos um país tropical, como sol o ano inteiro, poderíamos estar investindo pesadamente em energia solar. Temos também uma das maiores bacias hidrográficas do mundo e que pode ser fonte de muita energia, respeitado, claro, o ecossistema. Poderíamos ainda multiplicar o uso da energia gerada pelos ventos e incrementar a produção e o uso do etanol, sem reduzir o precioso plantio de alimentos.

Vale lembrar que o Brasil já é auto-suficiente na produção de petróleo e, portanto, não precisamos retirá-lo de seus reservatórios naturais. Ao invés de produzir mais petróleo, poderíamos intensificar os investimentos na indústria petroquímica, infinitamente mais lucrativa que a de combustíveis. A indústria petroquímica é responsável por três mil produtos indispensáveis em nosso dia a dia. Para quem não lembra, as petroquímicas foram privatizadas criminosamente nos governos Collor e FHC, mas foram retomadas pelo governo Lula, haja vista o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ. O governo é majoritário nos investimentos da retomada da petroquímica, mas quem controla o setor é a iniciativa privada. O setor está nas mãos da Brasken, do grupo Odebrecht, por motivos inexplicáveis

Mas voltando ao petróleo: diante de todas as possibilidades, o Brasil vai na contramão da história. O Governo Lula quer mudar o marco regulatório  através das quatro propostas enviadas ao Congresso Nacional em discussão no momento no Senado. Lula quer transformar o Brasil num grande produtor e exportador de petróleo, quando poderia usar o pré-sal como uma reserva estratégica e intensificar o uso de outras energias mais limpas.  E pior: como o governo propõe o novo modelo de partilha no pré-sal, substituindo as concessões e os famigerados leilões de petróleo introduzidos por FHC. A partilha é melhor que as concessões, porém as multinacionais estrangeiras podem abocanhar até 70% das reservas do pré-sal com esse sistema.

Daqui a pouco tempo, início da produção do pré-sal, desolados  assistiremos navios petroleiros saindo de nossos portos transbordando de petróleo,  usurpado de nosso país pelas multinacionais, para abastecer o mundo e para enriquecer meia dúzia de banqueiros, em prejuízo principalmente de nosso povo pobre. Esse petróleo, apesar de retirado de nosso subsolo, não será nosso, contrariando nossa Constituição Federal, que expressa “que toda riqueza de nosso subsolo pertence à União”.

E o mais grave, se tiver um acidente durante a exploração do pré-sal Brasileiro, como o do Golfo do México,  o prejuízo será nosso!
 

Fonte: Agência Petroleira de Notícias 

http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=1747&Itemid=1
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2 comentários

  1. isso que esta acontecendo faz muito mal para o planeta !vamos mudar o mundo, não ajude a acabar com o planeta .voce que ta sem fazer nada ajude o planeta ele precisa de vc para ele sobreviver.


    • Prezado leitor do blog,

      Não costumo responder leitores anônimos, mas esta questão realmente é polêmica e vale a pena.

      O vazamento de petróleo no Golfo do México é resultado da explosão, no dia 20 de abril, da plataforma Deepwater Horizon, da empresa BP – British Petroleum.

      É muito provável que este acidente tenha ocorrido por falha nos materiais e equipamentos utilizados pela BP, que provavelmente não eram resistentes o suficiente para este tipo de operação. Mas o vazamento poderia ter sido evitado se a empresa utilizasse sistemas de segurança mais modernos, que são obviamente mais caros, ou ainda, se investisse mais em tecnologia de prenvenção de acidentes. Isto significa que, para reduzir a probabilidade de acidentes, seria necessário investir muito mais, portanto, isto iria reduzir a margem de lucro. Entre lucro e “gastos” em segurança, tudo indica que British Petroleum (BP) optou pelo máximo de lucro.

      Isto significa que a empresa inglesa é plenamente responsável pelo acidente e todas as suas consequências na região. Tudo indica, pelas declarações recentes, que a empresa se comprometerá a pagar os custos da limpeza daquela região, mas neste caso, não é menos do que obrigação da empresa.

      Entretanto, gostaria de levantar algumas questões a respeito deste comentário anônimo que é muito interessante.

      Primeiramente pergunto: você realmente acredita que o Planeta Terra é um “organismo vivo”? Partindo da premissa que sim, pois escreveste que podemos “fazer mal ao planeta” e que “precisamos” fazer algo para que “ele” consiga “sobreviver”, então, realmente parece que sim. Respeito as inúmeras formas de crenças, religiões e novas mitologias pós-modernas, portanto tentarei argumentar a partir da idéia de que esta suposição seja válida. Considerando a hipótese “Gaia” da Terra como organismo “vivo”, é necessário reconhecer que este “organismo” apresenta características bastante peculiares, pois, assim como outros planetas, tem um período normal de vida de bilhões de anos e não se reproduz, mas apenas “nasce”, se modifica e “morre”. Bem verdade, nesta lógica, estrelas também nascem, se desenvolvem e morrem, cristais nascem e morrem, como outras coisas em uma escala geológica de tempo (milhões ou bilhões de anos). Isto significa que, se considerarmos estas características como típicas de uma forma de vida não tradicional, estrelas e planetas poderiam ser considerados “organismos” complexos e muito resistentes. Seguindo esta lógica, poderíamos concordar que, até o momento, “o planeta” sobreviveu a dezenas de eventos catastróficos, incluindo, milhares, talvez milhões de impactos de meteoros de diferentes tamanhos, inúmeros eventos espaciais como mudanças de órbita, exposição a radiações altamente letais, mudanças na intensidade do calor, luz e radiações emitidos pelo nosso Sol. O que nos leva a concluir que o planeta é realmente muito resistente. Tanto que muitos destes eventos foram catastróficos para parte significativa das formas de vida que habitavam a Terra, mas o planeta não foi destruído, a Terra está aqui. E provavelmente continuará por aqui, daqui a bilhões de anos, quando o Sol tiver desaparecido. Um dia, daqui a vários bilhões de anos, provavelmente será um planeta frio, provavelmente “morto”, ou seja, sem formas de vida significativas, sem receber luz que não seja a das estrelas mais distantes. Mas “o planeta” estará aqui. Nós, provavelmente teremos desaparecido enquanto espécie e, se conseguirmos deixar algo de bom neste universo, provavelmente serão colônias humanas ou de nossos descendentes, em outros sistemas solares distantes. Enquanto isso, a Terra vai continuar por aqui, por muito muito tempo, ao menos, enquanto existir espaço e tempo.

      Portanto, parece muito, muito difícil acreditar que nós, simples seres humanos, mortais e finitos, muito menos resistentes, no auge da nossa insignificância, consigamos, de alguma forma mesmo que planejada e organizada, a façanha de “destruir o planeta”. Muito menos “destruir a natureza”. É impossível acreditar que seres vivos que mal conseguem fazer viagens interplanetárias, possam “destruir a natureza”, mesmo que quisessem fazer isto. Entretanto é bem provável, que consigamos destruir a nós mesmos. É mais provável que a Humanidade sofra muito com guerras catastróficas no futuro, do que com qualquer questão ambiental local ou acidente local. Por isto insisto, é infinitamente mais provável que a Humanidade venha a se auto-destruir em guerras, do que venha a conseguir a façanha de destruir “o planeta” por acidente.

      Isto não significa que tenhamos que ser negligentes com a natureza, até porque, somos parte da natureza. Nem significa que poderemos ser negligentes com o nosso planeta, afinal é o único lar que temos e provavelmente continuará sendo assim por muito, muito tempo. Mas continuará existindo, no futuro, o risco real de que consigamos destruir esta parte da natureza que mais nos interessa: a Humanidade. Principalmente se não conseguirmos substituir os mecanismos sociais mais competitivos e violentos, pela nossa capacidade de cooperar e viver harmoniosamente em grupo, ou seja, em sociedade. Perceba que são características consideradas por muitos como “instintivas” (competição e cooperação, pacificidade e violência), que possivelmente sejam instintivas mesmo, já que outros animais também têm potencial para cooperação e competição, violência e vida em sociedade. Mas estas características não são tão simples, nem pré-determinadas, porque interagimos com o ambiente que nos cerca, que inclui a sociedade, a economia as instituições políticas. Estas características “instintivas” podem ser controladas, ampliadas ou modificadas socialmente, através da educação, da cultura, da vida em sociedade, porque mais importante que nossos instintos é nossa capacidade de aprender. Portanto a política e a vida social são partes essenciais da Humanidade: é o que nos faz humanos. E não aprendemos apenas enquanto indivíduos, mas também enquanto Sociedade e Civilização. Aprendemos com nossos erros e com os exemplos dos erros dos outros. Por isso, me parece, muito, muito difícil, que venhamos a destruir “o planeta” assim, com esta facilidade, como falam por aí.

      O vazamento de petróleo do Golfo do México é um exemplo de situação com a qual todos estamos aprendendo. Provavelmente não voltará a ocorrer um acidente igual no mundo, mas outros tipos de acidentes sempre podem acontecer. O mais importante, nestes casos, é que a Sociedade tenha o máximo possível de capacidade de controle sobre as decisões das empresas estratégicas que podem produzir grandes riquezas, mas também terríveis acidentes. Deixar isto ao sabor da lógica do “livre mercado” e do “máximo de lucro no mínimo de tempo”, é um grande erro, que aumento muito os riscos não apenas para o meio ambiente, mas para nós mesmos. A Sociedade e o Estado têm que ter condições de influenciar ou controlar estas empresas estratégicas, independente se forem de natureza pública, estatal ou privada. O Estado e a Sociedade têm que criar novos mecanismos legais e institucionais para controlar estas empresas, por exemplo, exigindo que façam investimentos mais significativos em tecnologias que vão ajudar a evitar acidentes ou reduzir a poluição que emitem.

      Isto significa que não basta um diagnóstico do problema, como a maior parte das ONGs ambientalistas prefere fazer. É necessário ter propostas para resolver o problema. E a maior parte destas ONGs não defende o controle público (envolvendo Estado e Sociedade) do setor produtivo, mesmo que isto resulte em melhorias para toda a sociedade, pois isto pode reduzir a margem de lucro das empresas.

      Infelizmente, abandonamos a “Era das trevas” da Idade Média, em que o lucro era pecado, para o extremo oposto, em que o lucro se tornou “sagrado”, intocável, não pode ser criticado de forma alguma. Na realidade tornou-se um grande problema defender qualquer idéia que implique em reduzir a margem de lucro de um determinado grupo de empresas, mesmo quando estas são grandes conglomerados que controlam de forma oligopolista os mercados. Precisamos elaborar novos mecanismos político-institucionais para resolver estes problemas, especificamente, para institucionalizar formas de gerenciamento social das empresas, em que, Estado, Sociedade, Trabalhadores e Empresários, participem da gestão do setor produtivo, para que o interesse da sociedade prevaleça sobre o do lucro fácil. Perceba que isto envolve enfrentar grandes e poderosos interesses financeiros, mas pode resolver alguns dos nossos maiores problemas da atualidade. Resolverá todos os problemas? Obviamente não, pois toda inovação social produz novos problemas, pois continuamos sendo humanos. Mas poderemos continuar procurando novas soluções em um mundo melhor do que o de hoje. De qualquer forma bradar pelo “catastrofismo ambientalista”, sem propor uma solução plausível, não resolve nada. Muito menos no setor petrolífero, onde estão envolvidos, além dos interesses financeiros, as disputas geopolíticas entre as grandes potências globais por riqueza e poder .

      Perceba que os Estados Unidos não vão parar de usar petróleo, por pior que tenha sido este acidente no Golfo do México, nem nenhuma das grandes potências vai parar de usar petróleo por causa disto. Perceba que enquanto assistimos pela TV o drama dos bichinhos afetados pelo vazamento petrolífero, pouco se tem falado da vida das pessoas que dependem daquele ecossistema para sobreviver, como guias turísticos, criadores de crustáceos e pescadores. Como de costume, isto não dá tanta audiência.

      Entretanto, ficam “no ar” algumas questões por responder, que talvez nos indiquem algumas possíveis respostas para esta polêmica… Talvez a primeira grande questão seja: onde está a tradicional gritaria do Greenpeace e da WWF, ONGs ambientalistas criadas ou financiadas desde sua criação, pela elite inglesa? Porque um pequeno vazamento de petróleo provocado pela Petrobrás no Brasil, provoca uma violenta campanha global destas ONGs contra a empresa brasileira e contra o Brasil, mas um vazamento gigante, provocada pela empresa inglesa em solo americano, não gera 10% dos mesmos tipos de protestos? Será que é porque somos um país “subdesenvolvido” e eles são ricos súditos da realeza britânica? Ou será que precisaríamos saber mais sobre os interesses em jogo nestas complexas questões?



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