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Rússia e Noruega fecham acordo sobre zona petrolífera disputada a 40 anos no Mar de Barents

30 de abril de 2010

Geopolítica do Petróleo

30/04/2010

Rússia e Noruega fecham acordo sobre zona petrolífera disputada a 40 anos no Mar de Barents

Lucas Kerr de Oliveira


Desde pelo menos os anos 1970, que Noruega e Rússia (na época URSS) disputam o controle da região localizada no Mar de Barents, próxima ao Ártico, área com grande potencial petrolífero e gasífero.

Zonas Econômicas Exclusivas no Ártico, áreas reivindicadas e disputas. Fonte: AFP

Considerando que entre 20 e 25% das reservas de hidrocarbonetos fósseis está potencialmente localizada na zona do Ártico, a delimitação da Zona Econômica Exclusiva nesta região torna-se, com frequência, alvo de inúmeras controvérsias, que se ampliaram significativamente ao longo da atual década.

Felizmente, neste caso, ao invés do aprofundamento do conflito, assistimos a um acordo de cooperação bilateral que definiu a divisão da zona disputada entre Rússia e Noruega, com a participação de empresas petrolíferas semi-estatais de ambos os países.

Potencial Petrolífero de região do Ártico segundo o US Geological Service

O Presidente da Rússia, Dimitri Medvedev chegou a convidar publicamente a empresa semi-estatal norueguesa Statoil, a cooperar em novos empreendimentos com a empresa russa Gazprom, agora na zona anteriormente disputada, de cerca de 176 mil quilômetros quadrados. Nesta região, onde já ocorre a extração de gás natural, a prospecção deve ser ampliada agora, sob o novo acordo internacional.

Este acordo tem um significado estratégico, já que outras áreas do Ártico vêem sendo reivindicadas por Rússia, Noruega, Dinamarca, Canadá e Estados Unidos, sem nenhum acordo formal até o momento, e permanece significativo o potencial para novas disputas.

Reivindicações territoriais - ZEEs no Ártico

Dentre as áreas mais complicadas, talvez estejam as zonas em torno do Estreito de Bering, na fronteira norte entre as atuais Zonas Econômicas dos Estados Unidos e Rúsia, respectivamente ao norte do Alaska e do distrito de Chukotka  (Чукотский)  na Rússia Oriental.

Pretensões territoriais marítimas dos Estados Unidos no Pacifico e Ártico

Novas disputas pelo Ártico

Um dos indicadores deste potencial para novas disputas é que em março de 2009, a Rússia chegou a anunciar a intenção de criar uma nova força militar especial para a região do Ártico (O Estado de S. Paulo, “Rússia quer criar força militar especial para o Ártico”, 27;03/2009).

Ao mesmo tempo, o governo russo pretende terminar um novo levantamento geológico oceanográfico (até 2011) da região reivindicada pelo país no Ártico, para entrar com um novo pedido de reconhecimento da expansão de seu mar territorial na região junto à Comissão da ONU responsável pela delimitação dos limites marítimos. Isto porque o pedido similar anteriormente feito pela Rússia em 2001, foi negado pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU. Simbolicamente a Rússia já havia, até mesmo, fixado uma bandeira no fundo do leito do mar da área reivindicada no Ártico, utilizando-se de minisubmarinos robôs.

Entretanto não é apenas a disputa pelo controle de reservas petrolíferas potencialmente gigantescas (na escala de cvárias dezenas ou até centenas de bilhões de barris), que torna a região do Ártico mais “tensa” ou conflituosa.

O Ártico é alvo de disputas estratégicas desde a época da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética instalaram uma série de bases e estações de vigilância com grandes radares de arranjo fásico na região, pretendendo identificar antecipadamente possíveis lançamentos de míseis balísticos ou ataques aéreos por parte do adversário.

Sistema de radares americanos construídos durante a Guerra Fria para vigiar o espaço aéreo do Ártico

A militarização do Ártico na Guerra Fria foi intensa e ambas as superpotências realizavam constantes exercícios militares  na região. No início dos anos 2000, a tensão em torno do Ártico voltou a crescer, após a retomada do projeto americano de construção de um “escudo anti-mísseis”, pretendendo alcançar um novo patamar de superioridade nuclear, ou talvez, até mesmo a supremacia nuclear (ver artigo de Fabrício Ávila, José Miguel Martins e Marco Cepik, , sobre esta questão).

Acrescentou-se a isto a descoberta de novas reservas petrolíferas na região e o derretimento parcial de calotas polares, que facilitariam o estabelecimento de uma nova rota marítima entre Europa e Leste Asiático, pelo norte do continente eurasiático.Por enquanto é uma rota temporária, viável no verão, mas a perspectiva de que esta venha a se tornar permanente no futuro – caso as previsões mais pessimistas a respeito do “aquecimento global” se compram -, amplia ainda mais os interesses econômicos pelo controle do Ártico.

Nova rota marítima pelo Ártico

Somadas às disputas já citadas entre Canadá, Estados Unidos, Rússia, Dinamarca e Noruega, por reivindicação de territórios marítimos na região, parece difícil imaginar que os conflitos potenciais simplesmente acabaram. com a resolução desta questão específica.

Entretanto, é de grande alento para o mundo assistir a mais um processo de negociação de conflitos sendo resolvido pacificamente nesta região tradicionalmente marcada por grandes disputas. Afinal, o fim desta contenda histórica pode facilitar futuros acordos envolvendo outras zonas árticas disputadas.

Para os povos do Hemisfério Sul, é interessante acompanhar este tipo de caso ocorrido no extremo Norte não apenas pelo interesse acadêmico ou diplomático em processos de negociação que chegaram a uma resolução pacífica em torno de conflitos por territórios marítimos. Interessa também porque no Atlântico Sul assistimos recentemente à ampliação das disputas envolvendo a região petrolífera localizada na Zona Econômica Exclusiva das ilhas Malvinas, cuja posse continua sendo reclamada pela Argentina, com amplo apoio dos países sul-americanos. Além disto,  existe um grande potencial para futuras disputas envolvendo regiões similares em torno da Antártida, cuja resolução negociada e pacífica continuará sendo vital no futuro, especialmente para evitar soluções simplistas e unilaterais, impostas pela força por alguma grande potência extra-regional.

Para assistir ao vídeo clique em: http://www.youtube.com/watch?v=OyRJxHKuwXI

Referências

AVILA, Fabrício S.; MARTINS, José Miguel Q.; CEPIK, Marco A. C. (2009).“Armas estratégicas e poder no sistema internacional: o advento das armas de energia direta e seu impacto potencial sobre a guerra e a distribuição multipolar de capacidades”. Contexto Internacional, vol.31, n.1, p. 49-83. Rio de Janeiro, Brasil.

NUNES, Carlos (2009). “O Árctico e a Exploração de Recursos Energéticos: Potencialidades e Riscos”, da Sphera: Informação Internacional, Maio 2009, <http://www.dpp.pt/pages/files/Arctico.pdf>

REKACEWICZ, Philippe (2007). Géopolitique de l’Arctique : la course pour les ressources, Le Monde Diplomatique, 19/10/2007. <http://www.cartografareilpresente.org/IMG/pdf/map-arctic.pdf>

O Estado de S. Paulo, “Rússia e Noruega encerram disputa territorial no Ártico”, Estadão Online, 27/03/2010, <http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,russia-e-noruega-encerram-disputa-territorial-no-artico,543692,0.htm>

O Estado de S. Paulo, “Rússia quer criar força militar especial para o Ártico”, Estadão Online, 27/03/2009, <http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,russia-quer-criar-forca-militar-especial-para-o-artico,345867,0.htm>

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Brasil precisa de uma Belo Monte por ano de energia

24 de abril de 2010

Agência Brasil
24/04/2010

Para especialista, Brasil precisa de uma Belo Monte por ano de energia

Sabrina Craide

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O crescimento da economia brasileira vai levar a um aumento no consumo de energia e o país vai precisar a cada ano de cerca de 4 a 5 mil megawatts de capacidade nova instalada. Isso equivale à quantidade de energia estimada para a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que deverá entrar em operação em 2015. A avaliação é do coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Nivalde de Castro

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Gazprom inicia construção do gasoduto submarino “Nord Stream” entre Rússia e Alemanha no Mar Báltico

9 de abril de 2010

DW-World Deutsche Welle

09/04/2010

Estatal russa Gazprom inicia construção de gasoduto estratégico no Báltico

Jutta Wasserrab     e    Marcio Damasceno

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5449742,00.html

Primeiros  tubos começam a ser submersos

A construção do gasoduto Nord Stream, projeto milionário que atravessará o Mar Báltico, foi iniciada oficialmente nesta sexta-feira (9/4). A cerimônia de inauguração das obras, realizada na baía russa de Portovaya, próxima à fronteira finlandesa, contou com a presença do presidente russo, Dimitri Medvedev, e do ex-premiê alemão Gerhard Schröder.

A partir de 2011, o duto deverá transportar anualmente até 55 bilhões de metros cúbicos de gás à Europa Ocidental, o que corresponderia a cerca de 11% da demanda esperada para a região no ano de 2030.

O projeto, orçado em 7,4 bilhões de euros, foi concebido como complemento estratégico aos velhos dutos, que atravessam Ucrânia e Polônia. Os conflitos entre a gigante russa Gazprom e a Ucrânia, que provocaram interrupções no abastecimento europeu nos últimos anos, parecem ter tornado a iniciativa ainda mais urgente.

Russos deixaram concorrência para trás

Nord Stream, South Stream, Nabucco. Todos eles devem levar gás natural do Oriente para a Europa Central. Quanto ao Nabucco, há apenas uma declaração política de intenções; já no caso de South Stream, o processo está um pouco mais adiantado. O gasoduto Nord Stream, por sua vez, começa a ser construído agora sob o Báltico. E com ele a estatal russa Gazprom deixou a concorrência bem para trás.

Nas próximas décadas, a Rússia vai fornecer à Alemanha e à Europa Central ainda mais gás. “O consumo crescerá. Por isso, é sensato ter acesso aos principais fornecedores. E a Rússia é uma”, afirmou Schröder.

Quando no poder, o político social-democrata se empenhou pessoalmente no projeto. Hoje Schröder é o presidente do conselho de administração e o principal lobista da Nord Stream, grupo proprietário do gasoduto do Mar Báltico. “A Rússia também era uma importante fornecedora de energia nos tempos da Guerra Fria, e nunca tivemos problemas com a segurança do abastecimento. Tenho certeza de que isso não vai mudar no futuro.”

Medvedev e  Schröder inauguraram as obras Medvedev e Schröder inauguraram as obras


Gazprom se adiantou aos fatos

Por trás da Nord Stream, entretanto, está a Gazprom, empresa estatal russa e maior produtora de gás natural no mundo. O consórcio liderado pela Gazprom criou fatos, antes mesmo de se decidir se o gasoduto poderia ser mesmo construído.

Já desde 2007, a empresa vem encomendando tubos de aço reforçados com concreto, apropriados para uso subaquático. A aprovação final e o dinheiro chegaram, no entanto, apenas há algumas semanas.

A Nord Stream bate, assim, um concorrente que ainda nem chegou a implementar seu projeto: o gasoduto Nabucco, iniciativa do grupo austríaco de energia OMV. E por trás do Nabucco também está um veterano da política alemã: o verde Joschka Fischer, ex-ministro do Exterior.

“O que não queremos é um monopólio. Acho sensato que nós, europeus, garantamos a segurança energética através de um vasto leque de ofertas”, argumenta Fischer.

Nabucco quer romper monopólio russo

E isso significa, em linguagem simples, que Fischer e seu consórcio pretendem quebrar o domínio dos russos. O gasoduto Nabucco, que tem participação da gigante alemã de energia RWE, deve transportar gás da região do Mar Cáspio (e, portanto, não da Rússia) para a Europa Ocidental por uma rota ao sul do Mar Negro. O Nabucco é tido como o projeto predileto da Comissão Europeia.

Favorizado pela UE, o Nabucco deve levar gás da região do Mar Cáspio até a Europa

As palavras do comissário de Energia da UE, o alemão Günther Oettinger, não deixam margem de dúvida. “O Nabucco não é apenas um potencial duto novo, é um projeto europeu. E passa por uma outra região rica em gás, o Mar Cáspio, reduzindo pela metade a dependência da Europa. Por um lado, a dependência tecnológica diminui em decorrência da criação de uma rota adicional; por outro, o gás viria de uma região diferente, por meio de outras parcerias, o que também reduz significativamente a dependência.”

Alternativas podem tornar supérfluos novos gasodutos

No entanto, há um inconveniente. O gasoduto Nabucco é politicamente desejado, mas até hoje nenhum dos investidores sabe de onde deverá vir o gás. Eles viajam regularmente ao Azerbaijão, ao Turcomenistão e ao Iraque – até agora sem contrato nenhum.

Além disso, o Nabucco pode se ameaçado pelo plano da Gazprom de construir o South Stream, um novo duto que deverá atravessar o Mar Negro diretamente ao norte do projeto austríaco e europeu.

Se a Agência Internacional de Energia estiver certa em sua previsão de que, em 2030, a Europa Ocidental terá uma demanda adicional de 200 bilhões de metros cúbicos de gás, não haverá problema, pois o mercado será suficiente para todos.

No entanto, também há prognósticos de que o consumo de gás da Europa vai se manter estável em decorrência da diversificação das fontes de energia. Neste caso, a Gazprom e a Rússia certamente dominariam o mercado de gás europeu.

Revisão: Simone Lopes

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5449742,00.html

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Leia também as análises sobre o tema:

Presidente da Rússia deu início à realização do projeto gasífero Nord Stream

http://darussia.blogspot.com/2010/04/presidente-da-russia-deu-inicio.html

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Nord Stream gas pipeline underwater construction starts

http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/8607214.stm

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Nord Stream: “The First Three Kilometres Are Laid”

9 de abril de 2010

Nord Stream

Zug, 09 April 2010.

Nord Stream: “The First Three Kilometres Are Laid”

http://www.nord-stream.com/uploads/media/Nord_Stream_Statement_Start_of_Pipe_Laying_eng_20100409.pdf

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  • Construction started in Swedish waters; first gas deliveries planned in 2011
  • One of three specialised pipelay barges is now laying the first section of the pipeline towards the Gulf of Finland
  • 1,224-kilometre long natural gas pipeline to connect European gas grid to Russia’s large gas reserves

Construction of the Nord Stream natural gas pipeline has started in the Swedish Exclusive Economic Zone of the Baltic Sea. The pipelay barge Castoro Sei (C6) began offshore pipe laying near the Island of Gotland and with a distance of 675 kilometres from the pipeline’s starting point near Vyborg, Russia, marking an important milestone for the Nord Stream project.

“The first three kilometres of the Nord Stream Pipeline are laid,” said Henning Kothe, Project Director, Nord Stream AG. “Now we are finally making our project a reality. During the permitting phase, we showed that we are planning a technically and environmentally safe project; now we will live up to our plans and create the infrastructure that will secure Europe’s gas supply for decades to come.” Since 2006, the Swiss-based consortium has thoroughly planned one of Europe’s largest infrastructure projects. When completed, the Nord Stream Pipeline will transport 55 billion cubic metres of natural gas a year to Europe.

Environmental Factors Play Important Role

Before Nord Stream could start constructing the first of its two pipelines, each of them with an inner diameter of 1.153 metres, the consortium underwent a permitting process involving all nine countries bordering the Baltic Sea. Detailed transboundary and national environmental impact assessments were carried out based on detailed studies of the Baltic Sea region. Nord Stream invested more than 100 million Euros in surveys and route planning. This led to the development of pipe-laying procedures and sequencing, as well as an environmental monitoring programme to meet safety and environmental requirements while enabling the construction vessels to work efficiently.

Three Specialised Pipelay Vessels

Throughout the project, a number of vessels will be used for different activities such as pipe supply, surveying, or anchor handling. Pipe laying itself will be carried out by three lay barges: Saipem’s Castoro Sei for most of the offshore construction, Saipem’s Castoro Dieci, near the German shore (from June 2010) and Allseas’ Solitaire in the Gulf of Finland (starting in September 2010). Each of these vessels is a floating factory: Continuously, concrete coated steel pipes, each about 12-metres long and weighing about 25 tonnes will be supplied from five stockyards located around the Baltic Sea. On board, pipes are bevelled and welded together to form the pipeline. Before they are lowered into their designated position on the seabed, each weld will be subjected to ultrasonic testing, millimetre by millimetre.

http://www.nord-stream.com/uploads/media/Nord_Stream_Statement_Start_of_Pipe_Laying_eng_20100409.pdf


http://www.nord-stream.com/fileadmin/Dokumente/3__PNG_JPG/4__Maps/The_Planned_Pipeline_Route_EN_rgb.jpg
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Brasil desenvolve foguetes espaciais a etanol

7 de abril de 2010

Agência Fapesp

07/04/2010

Especiais

Brasil desenvolve foguetes espaciais a etanol

Alex Sander Alcântara

Brasil desenvolve foguetes espaciais a etanol

Agência FAPESP – O Brasil acumula um atraso de meio século na propulsão de foguetes espaciais em relação aos norte-americanos e russos. Para tentar dar um impulso no setor, há cerca de 15 anos o país iniciou um programa de pesquisa em propulsão líquida e que tem como base o etanol nacional.

O desafio do programa, liderado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), é movimentar futuros foguetes com um combustível líquido que seja mais seguro do que o propelente à base de hidrazina empregado atualmente. Esse último, cuja utilização é dominada pelo país, é corrosivo e tóxico.

O desafio da busca por um combustível “verde” e nacional também conta com o apoio de um grupo particular de pesquisadores, formado em parte por engenheiros que cursam ou cursaram o mestrado profissional em engenharia aeroespacial do IAE – realizado em parceria com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e com o Instituto de Aviação de Moscou.

Liderado pelo engenheiro José Miraglia, professor da Faculdade de Tecnologia da Informação (FIAP), o grupo se uniu para desenvolver propulsores de foguetes que utilizem propelentes líquidos e testar tais combustíveis.

“Os propelentes líquidos usados atualmente no Brasil estão restritos à aplicação no controle de altitude de satélites e à injeção orbital. Eles têm como base a hidrazina e o tetróxido de nitrogênio, ambos importados, caros e tóxicos”, disse Miraglia à Agência FAPESP.

Miraglia coordena o projeto “Desenvolvimento de propulsor catalítico propelente utilizando pré-misturados”, apoiado pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Na primeira fase do projeto, o grupo, em parceria com a empresa Guatifer, testou motores e foguetes de propulsão líquida com impulso de 10 newtons (N), com o objetivo de avaliar propelentes líquidos pré-misturados à base de peróxido de hidrogênio combinado com etanol ou querosene.

“Os testes mostraram que o projeto é viável tecnicamente. Os propulsores movidos com uma mistura de peróxido de hidrogênio e etanol, ambos produzidos em larga escala no Brasil e a baixo custo, apresentaram o melhor rendimento”, disse.

Segundo Miraglia, a mistura apresenta algumas vantagens em relação à hidrazina ou ao tetróxido de nitrogênio, usados atualmente. “Ela é muito versátil, podendo ser utilizada como monopropelente e como oxidante em sistemas bipropelentes e pré-misturados. O peróxido de hidrogênio misturado com etanol apresenta densidade maior do que a maioria dos propelentes líquidos, necessitando de menor volume de reservatório e, consequentemente, de menor massa de satélite ou do veículo lançador, além de ser compatível com materiais como alumínio e aço inox”, explicou.

Na segunda fase do projeto, o grupo pretende construir dois motores para foguetes de maior porte, com 100 N e 1000 N. “Nossa intenção é construir um foguete suborbital de sondagem que atinja os 100 quilômetros de altitude e sirva para demonstrar a tecnologia”, disse.

A empresa também está em negociações para uma eventual parceria com o IAE no projeto Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica), cujo objetivo é enviar ao espaço um satélite para o desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas e especialidades, como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos.

“Nosso motor seria utilizado na operação de reentrada para desacelerar a cápsula quando ela ingressar na atmosfera. Atualmente, não existe no Brasil foguete de sondagem a propelente líquido. Todos utilizam propelentes sólidos”, disse.

Kits educativos

O grupo também pretende produzir motores para foguetes de sondagem que tenham baixo custo. “Eles seriam importantes para as universidades, com aplicações em estudos em microgravidade e pesquisas atmosféricas, por exemplo”, disse Miraglia.

Em trabalhos de biotecnologia em microgravidade, por exemplo, pesquisas com enzimas são fundamentais para elucidar processos ligados a reações, fenômenos de transporte de massa e calor e estabilidade das enzimas. Tais processos são muito utilizados nas indústrias de alimentos, farmacêutica e química fina, entre outras.

“Queremos atingir alguns nichos, ou seja, desenvolver um foguete movido a propelente líquido que se possa ajustar à altitude e ser reutilizável. Esse é outro ponto importante, porque normalmente um foguete, depois de lançado, é descartado”, disse.

O grupo já construiu um motor de 250 N, que será utilizado em testes. Como forma de difundir e reunir recursos para o projeto, a empresa comercializa kits de minifoguetes e material técnico. “São direcionados principalmente para estudantes”, disse Miraglia.

No site www.foguete.org, a empresa oferece também apostilas técnicas e livros digitais sobre foguetes com informações sobre astronáutica, exploração espacial e aerodinâmica.

Mais informações: www.edgeofspace.org

http://www.agencia.fapesp.br/materia/11999/especiais/etanol-para-o-espaco.htm

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China muda a geopolítica do petróleo

4 de abril de 2010

O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2010 

China muda a geopolítica do petróleo

O crescimento hoje vem da Ásia, apesar de os Estados Unidos ainda serem o maior mercado e os responsáveis pela segurança no Golfo Pérsico

 

Jad Mouawad, The New York Times

 

Em meados do ano passado, a Arábia Saudita concluiu a construção do seu maior projeto de expansão na extração de petróleo, abrindo um novo campo capaz de produzir 1,2 milhão de barris por dia – mais do que toda a produção do Estado do Texas. O campo, chamado Khurais, é parte de um ambicioso projeto avaliado em US$ 60 bilhões para aumentar a produção saudita e atender à crescente demanda por energia. Mas o momento da conclusão da obra não poderia ser pior para a Arábia Saudita.

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Venezuela e Rússia fecham acordo bilionário no setor petroleiro

2 de abril de 2010

BBC Brasil

02/04/2010

Venezuela e Rússia fecham acordo bilionário no setor petroleiro

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, formalizaram um acordo petrolífero bilionário, nesta sexta-feira, para a criação de uma empresa binacional de produção e extração de petróleo na faixa petrolífera do rio Orinoco, no norte do país.

Estima-se que as reservas desta faixa petrolífera, ainda em processo de certificação, tenha capacidade de 513 bilhões de barris de petróleo, o que a tornaria a maior reserva de petróleo do mundo.

A parceria integra um conjunto de 31 acordos assinados pelos dois países durante a primeira visita do premiê russo à Venezuela.

A estatal venezuelana PDVSA e o consórcio russo conformado pelas empresas Rosneft, Lukoil, TNK-BP, Gazprom e Surgutneftgaz devem constituir uma empresa mista para operar no campo Junín 6 da faixa petrolífera. Venezuela e Rússia estudam ainda ampliar a parceria petrolífera a outros três campos da faixa do Orinoco.

O governo russo adiantou o pagamento de US$ 600 milhões ao governo venezuelano, como parte da entrada de US$ 1 bilhão que deve ser entregue para a constituição da empresa binacional.

No acordo de associação, PDVSA terá 60% das ações e o consórcio russo ficará com os outros 40%. O projeto final prevê a produção de 450 mil barris diários de petróleo pesado. A inversão prevista para o empreendimento é de US$20 bilhões no prazo de 40 anos.

Defesa

Durante a visita de Putin foram entregues os quatro últimos helicópteros militares Mi-17 que completam o lote de 38 aeronaves compradas em 2006 pelo governo venezuelano.

Ao ser questionado sobre a possível reação dos Estados Unidos em relação à aliança militar com a Rússia, o presidente da Venezuela Hugo Chávez argumentou que as recentes compras são para a defesa do país e que seu arsenal é “modesto”.

“Estamos nos equipando para a defesa. Vai ver o arsenal que tem a rainha da Inglaterra”, afirmou, ao acrescentar. “E agora estão ameaçando a Argentina (…) à rainha digo que devolva essas ilhas à Argentina, as Malvinas são argentinas”, disse Chávez, em referência à nova crise diplomática entre Argentina e Inglaterra.

Desde 2004, a Venezuela tem investido mais de US$ 4 bilhões na compra de armamentos russos. A aliança, considerada estratégica pelo governo de Caracas, permitiu a compra de 24 aviões de combate Sukhoi-30, 53 helicópteros de transporte e ataque e 100 mil fuzis de assalto 7,62 AK 103.

A Rússia passou a ser o maior fornecedor de armamentos para a Venezuela quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio proibindo a venda de armas à Venezuela, impedindo, inclusive, a venda de 24 Supertucanos da Embraer para as Forças Armadas do país.

Os Estados Unidos também deixaram de enviar peças de manutenção para as frotas de aviões F-16, de tecnologia norte-americana .

“Lula uma vez me disse: Hugo, não perca mais tempo, não poderemos cumprir (com a venda dos aviões Supertucanos)”, disse Chávez.

“O império ianque não quer que tenhamos nem sequer um avião (…) não nos importa o que pense Washington, não estamos fazendo aliança contra Washington”, afirmou.

O primeiro-ministro russo argumentou que a soma dos gastos militares de todas as nações do mundo são menores aos investimentos norte-americanos nesta área.

Em seguida, Putin disse que para os russos “é bom que os Estados Unidos não queiram vender”, disse o primeiro-ministro, arrancando risos de Chávez.

“Continuaremos apoiando e desenvolvendo as capacidades de defesa da Venezuela”, afirmou Putin em coletiva de imprensa.

Putin disse que o governo venezuelano possui um crédito de US$2 bilhões junto ao governo russo, mas que ainda não utilizou esses recursos para a compra de armas.

Em relação à continuidade do tratado bilateral, firmado em 2008 para promover o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos, Chávez disse que ambos países “estão dispostos” a elaborar o primeiro projeto de construção de uma central de energia nuclear.

“Obviamente, com fins pacíficos”, afirmou o mandatário, sem precisar quando o acordo poderia ser concretizado. “Temos que pensar na era pos-petróleo”, disse Chávez, na véspera da visita de Putin.

O governo venezuelano enfrenta uma dura crise interna devido à escassez energética provocada pela longa estiagem.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100402_chavez_putin_acordo_cj_np.shtml