Archive for março \25\UTC 2010

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Governo quer envolver sociedade na discussão da Defesa Nacional, diz Ministro Jobim

25 de março de 2010

Agência Brasil

qui, 25/03/2010

Governo quer envolver sociedade na discussão da Defesa Nacional, diz Jobim

Flávia Villela

Repórter da Agência Brasil
http://www.agenciabrasil.gov.br/

Rio de Janeiro – Começou hoje (25) o primeiro ciclo de seminários sobre Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras, promovido pelo Ministério da Defesa, em parceria com diversas instituições públicas e privadas. O resultado das discussões, que devem ser realizadas durante todo este ano, será reunido em um livro, que servirá de apoio para a estratégia de Defesa Nacional do Brasil.

Durante a abertura do seminário, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a ideia do evento é levar a questão da Defesa Nacional à sociedade e ao meio acadêmico. “Nosso objetivo é trazer para a agenda nacional este tema, que já entrou na do governo e do Congresso, mas que é pouco refletido no meio acadêmico. É uma vitória para o governo e para o Ministério da Defesa, decorrente da estratégia nacional de integrar a defesa ao desenvolvimento nacional.”

Jobim declarou que o Brasil não pode e não deve abrir mão de possuir Forças Armadas capazes de exercer um poder de dissuasão necessário à defesa da soberania e do avanço do interesses nacionais no plano estratégico global. “Não podemos abrir mão de garantir nossa defesa tanto no que tange às nossas vulnerabilidades estratégicas, à dimensão do patrimônio nacional e à infraestrutura energética.”

Para o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, que também participou do seminário, não existem Forças Armadas fortes sem uma indústria de defesa forte e investimento pesado em pesquisa científica e tecnológica.

“Os Estados Unidos investem por ano em pesquisa cerca de 3% de seu PIB [Produto Interno Bruto], aproximadamente U$ 450 bilhões, enquanto no Brasil investimos cerca de 1% do PIB ou ao redor de U$ 15 bilhões. Essa situação tem um impacto enorme sobre a competitividade das empresas nos campos civil e militar”, comentou o ministro de Assuntos Estratégicos.

O agravamento da crise energética também foi discutido no evento. Guimarães ressaltou a importância de se investir em tecnologia de enriquecimento de urânio para a produção de energia nuclear.

“O Brasil possui a quinta maior reserva de urânio do mundo. E a energia nuclear será um dos grandes vetores para solucionar a crise de energia mundial a longo prazo. Por enquanto, só temos conhecimento de 30% do território e as chances de haver reservas muito maiores são grandes. Essa e outras reservas naturais tornam o Brasil relativamente menos vulnerável que outros países, como Japão e França, altamente dependentes da importação de insumos para sua atividade industrial”, disse Guimarães.

Jobim criticou a postura dos países centrais em manter políticas de defesa de sufocamento, ao impedir outros países de avançar tecnologicamente, como ocorre no caso do uso de enriquecimento de urânio para fins pacíficos. “A Marinha do Brasil conhece muito bem as dificuldades que enfrentamos para desenvolver e dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e produção de energia elétrica.”

http://www.agenciabrasil.gov.br/?q=node/2918
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Brasil inicia testes de turbina para aeronave hipersônica

23 de março de 2010

Brasil inicia testes de turbina para aeronave hipersônica

Lucas K. Oliveira

É inegável o papel do desenvolvimento tecnológico de ponta para o desenvolvimento econômico e social de um país. No caso dos setores de energia e transportes, o desenvolvimento de novos motores é fundamental para viabilizar novos emprendimentos com menores custos econômicos, sociais e ambientais. O Brasil está dando mais um passo em direção ao desenvolvimento de turbinas, desta vez, no desenvolvimento de turbinas “scramjet” para aeronaves hipersônicas. Estas aeronaves podem ser, em um futuro próximo, o meio mais barato e eficiente de  sair da atmosfera terrestre e chegar ao espaço, permitindo lançar satélites a custos bem menores do que os atuais.

Considerando que o espaço sideral possui fontes infinitas de energia, a exploração espacial pode, no futuro, resolver ao menos em partes os problemas de escassez relativa de recursos energéticos na Terra. A exploração espacial, portanto, apresenta-se como uma das áreas mais estratégicas para o desenvolvimento de novas tecnologias nos setores de transporte e energia da atualidade.

Nas próximas décadas assistiremos à grandes mudanças na forma como atualmente são desenvolvidas e utilizadas as tecnologias espaciais. Este período, que provavelmente se estenderá ao longo de um período de algumas décadas deverá ser bastante conturbado, já que ocorrem simultâneamente redefinições importantes no Sistema Internacional, na correlação de forças internacionais e nas relações entre as grandes potências, tendo como “pano de fundo” uma profunda, porém lenta transição energética para um novo paradigma de matriz enrgética, diferenter da atual.  TUdo indica que os países que liderarem os processos de inovação tecnológica e de desenvolvimento produtivo nas áreas  da economia e da indústria correlatas à de expoloração espacial (com as citadas inovações nas áreas de energia, transportes e comunicações), se tornarão pólos de poder significativos no Sistema Internacional. Se estes países ou blocos de países serão algo similar ao que clamamos hoje de “grandes potências” é difícil prever. Mas se esta categoria de países continuar existindo na segunda metade do século XXI, provavelmente terá como um dos critérios centrais a capacidade destas nações de atuarem no espaço.

Por isso, indicamos aos nossos leitores que atentem para as inovações tecnológicas nesta área – da exploração espacial -, onde possivelmente veremos o surgimento de novos motores, novas tecnologias e novos materiais com grande potencial para impactar significativamente a matriz energética global neste século.

A notícia postada a seguir, do CTA, descreve o desenvolvimento tecnológico de um dos novos motores que deve revolucionar o que entendemos hoje por transporte aéreo e aerospacial.

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22/03/2010

IEAv apresenta o motor do Veículo Hipersônico 14X

http://www.cta.br/

No início de março de 2010, o Cel Eng Marco Antonio Sala Minucci, Diretor do Instituto de Estudos Avançados, apresentou ao Ten Brig Ar Cleonilson Nicácio Silva, Diretor-Geral do DCTA, o motor “scramjet” que será integrado, em futuro próximo, ao Veículo Hipersônico 14-X.

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”Quem invadiu o Iraque não tem moral para cobrar o Irã”

21 de março de 2010

O Estadao de S.Paulo
21/03/2010

”Quem invadiu o Iraque não tem moral para cobrar o Irã”

Diante de duas cúpulas internacionais sobre a questão nuclear, ideólogo da política externa de Lula afia críticas a ‘potências que não cumprem TNP, mas exigem dos outros’

Roberto Simon

O Estadao de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100321/not_imp527213,0.php

Ex-número 2 do Itamaraty e sucessor do ministro Mangabeira Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães ataca “potências nucleares que não cumprem o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)”, mas exigem de países desarmados, como Brasil e Irã, “o estrito respeito de suas obrigações”. A dois meses de duas grandes cúpulas sobre a questão nuclear, uma em Washington, outra em Nova York, o ideólogo da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva questionou ao Estado a decisão brasileira de aderir ao TNP, em 1998, e afirmou que nem um compromisso dos poderosos em reduzir significativamente seus arsenais poderá fazer o Brasil assinar o chamado “protocolo adicional” do tratado. Guimarães coordena atualmente o esforço interministerial para conduzir o programa nuclear brasileiro. Tentando se esquivar de questões sobre política externa (“Não me ocupo mais disso”), o ministro deu sua opinião sobre a suposta “partidarização” do Itamaraty e negou acusações de envolvimento na crise hondurenha.

Por que o Brasil não assina o protocolo adicional do TNP?

O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e o conhecimento completo do ciclo de enriquecimento. Nossa Constituição obriga o uso de tecnologia nuclear somente para fins pacíficos e é preciso lembrar que o TNP, do qual somos signatários, tem duas partes. De um lado, o compromisso dos países nucleares de promover seu próprio desarmamento – e completo. De outro, países não nuclearmente armados se comprometem a não desenvolver a bomba, mas têm o direito a programas para fins pacíficos, incluindo com enriquecimento de urânio. A primeira parte do TNP não foi cumprida, mas os desenvolvidos exigem dos outros o cumprimento estrito de suas obrigações.

O presidente Barack Obama prometeu cortes drásticos nos arsenais americanos. EUA e Rússia estão prestes a concluir um acordo que substituirá o START e terá reduções significativas, e nos próximos meses haverá duas cúpulas sobre o tema. Há sinais claros de desarmamento. Isso não pode mudar a posição brasileira?

Mas existe ainda outro problema, a da redução de ogivas e de aperfeiçoamento da letalidade do armamento. Deveríamos ter um protocolo adicional para países que continuam a desenvolver armamento nuclear e não cumprem suas obrigações. Quem não cumpre o TNP não tem moral para cobrar os outros. Sem contar que há países armados dos quais não se exige nada, muitos nem signatários do TNP são.

O sr. se refere a Israel?

Tire suas conclusões.

O sr. já escreveu que o “TNP é apresentado como uma vitória pacifista e progressista”, mas na verdade trata-se de “uma violência unilateral”. O sr. mantém essa visão?

Usei essa expressão “violência unilateral”? Estranho. De todo modo, o TNP visa impedir uma guerra nuclear, não apenas a “proliferação horizontal”. Não se pode partir do princípio de que são os desarmados que ameaçam a paz internacional. Isso não é lógico.

O País aderiu ao pacto sob o governo de FHC. Foi um erro?

O Brasil, já em 1998, era um dos poucos que tinha em sua Constituição a obrigação de desenvolver atividades nucleares apenas para fins pacíficos. Só se justifica nossa participação no TNP na medida em que potências nucleares reduzam e eliminem arsenais.

Mas o sr. não se arriscaria a dizer que foi um erro assinar o tratado.

Não é que não me arriscaria. Mas é preciso observar a Constituição. E qualquer tratado em que o Brasil não esteja em igualdade de condições não corresponde ao princípio de igualdade soberana entre os Estados. O TNP é um tratado desigual.

Existe, então, a possibilidade de o Brasil denunciar o tratado?

De maneira nenhuma.

O sr. disse que quem não cumpre o TNP não tem “autoridade moral” para exigir dos outros. O presidente Lula usou uma expressão semelhante para se referir ao caso iraniano, disse que as potências “não tem superioridade moral para cobrar o Irã”.

Eu concordo com o presidente. E lhe acrescento: antes da segunda guerra do Iraque (em 2003), foi propalado em todos os países que Bagdá tinha armas de destruição em massa e, por isso, seria uma ameaça internacional. Diziam que armas iraquianas destruiriam capitais europeias em segundos. O sr. Colin Powell (então secretário de Estado dos EUA) discursou com fotos no Conselho de Segurança da ONU. O Iraque foi invadido e não foi descoberta nenhuma arma de destruição em massa. Isso dá moral a alguém?

Mas o caso do Irã é muito distinto do iraquiano. Hoje sabe-se, por exemplo, que iranianos esconderam uma usina nuclear por anos na cidade de Qom. O sr. realmente acredita que Teerã negocia de boa-fé?

Não participamos diretamente das negociações. O Brasil acredita no diálogo e defende que o uso da força é improdutivo. Não podemos partir do princípio de que há países responsáveis e outros irresponsáveis. Mas não quero falar de política externa, quem se encarrega disso é o Ministério das Relações Exteriores.

Em 2001, o então chanceler Celso Lafer o destituiu do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty depois que o sr. veio a público criticar a Alca. Como o sr. vê, hoje, esse episódio?

Cumpri o que achei que devia fazer. Julguei que se tratava de um momento de perigo à soberania brasileira. Por isso dei minha opinião.

Ao olhar para trás, o sr. acredita que essa posição foi correta?

Corretíssima. A adoção de um acordo como Alca – com tarifas a zero, impossibilidade de controle de fluxo de capitais, total abertura – teria levado, por exemplo, à privatização de todo sistema financeiro. Privatizariam o BNDES, Banco do Brasil, Petrobrás; instrumentos que foram de grande importância na crise financeira. Há muitos anos, um sociólogo brasileiro disse: “o Brasil não é mais um país subdesenvolvido, é um país injusto.” (A frase iniciava o plano de governo de FHC). Esse pensamento denota que podemos ter políticas econômicas de países desenvolvidos. Isso tem uma implicação horrível do ponto de vista de conhecimento da realidade.

A política externa está excessivamente partidarizada? Como o sr. vê, por exemplo, o fato de o chanceler Celso Amorim ter se filiado ao PT?

Outros chanceleres foram de partidos. Ou não? Nesse Ministério das Relações Exteriores, nenhum funcionário que exerceu cargos importantes em outros governos foi prejudicado. Basta ver onde estão servindo. Não houve perseguição.

Há ex-funcionários que fazem forte oposição, como o embaixador Rubens Barbosa.

Mas esses são aposentados. E têm todo direito de fazer oposição. Eu não tenho oposição à oposição (risos). Esse é um debate saudável e o fato de ele ter crescido reflete o próprio êxito da política externa. Não se discute tema desimportante.

O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda afirmou que foi o sr. quem arquitetou a volta do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras.

Não conheço o ex-chanceler. Nunca o vi na minha vida e não tenho a menor ideia de onde ele tirou isso. Se me lembro bem do texto, ele diz algo como “isso (a volta de Zelaya) é algo que só pode ter saído da cabeça de Pinheiro Guimarães”.

E o sr. avalia que o retorno de Zelaya foi bom para Honduras?

Não falo de política externa.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100321/not_imp527213,0.php
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II Guerra Mundial : Os Planos dos EUA para Invadir o Brasil

19 de março de 2010

Blog Plano Brasil

18/03/2010

2ª Guerra Mundial – Plano Americano Para Invadir o Brasil

E.M.Pinto

http://pbrasil.wordpress.com/

Sugestão: Gérsio Mutti


Blog Plano Brasil
http://pbrasil.wordpress.com/
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Geopolítica do Petróleo no Atlântico Sul: Petróleo nas ilhas Malvinas amplia disputa entre Inglaterra e Argentina

18 de março de 2010

Geopolítica do Atlântico Sul: Petróleo nas Malvinas amplia disputa entre Inglaterra e Argentina

Lucas Kerr de Oliveira

Publicado no jornal online "Pare o Trem".

As Malvinas e a "Passagem de Drake" entre o Atlântico Sul e o Pacífico Sul

A atual crise nas Malvinas é apenas mais um capítulo de uma longa disputa entre Argentina e Inglaterra pela posse destas ilhas de  localização estratégica e com recursos petrolíferos ainda por serem mapeados.

A disputa remonta ao século XIX, quando a Inglaterra invadiu e anexou as ilhas. A Inglaterra, que já era a maior potência naval do mundo, considerava as ilhas importantes como base para a Royal Navy pois sua localização permitia vigiar facilmente a única passagem existente entre o Atlântico Sul e o Pacífico – a “Passagem de Drake”, entre  a América do Sul e a Antártida.

A utilidade da ilha foi comprovada durante a I Guerra Mundial, quando sua posse deu grande vantagem à Royal Navy da inglaterra, na luta contra Kaiserliche Marine, a marinha imperial da Alemanha, durante o episódio que ficou conhecido como “Batalha das Falklands“, em dezembro de 1914.

 Antártida Britânica: reivindicação territorial da Inglaterra na Antártida

Posteriormente a posse das Malvinas e outras ilhas do Atlântico Sul seriam usadas como justificativa para tentar legitimar reivindicações territoriais do Reino Unido sobre territórios na Antártida. Embora reivindicações desta natureza tenham sido suspensas (ao menos por enquanto) pelo Tratado da Antártida de 1959, continuavam interessantes para o futuro. Isto porque, para a Inglaterra, manter a posse das ilhas significava (e talvez ainda tenha este significado), a perspectiva futura de voltar a reivindicar territórios na Antártida quando a vigência do tratado se encerrar, e possivelmente, este continente puder vir a ser ocupado para fins econômicos.

 Malvinas: Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Inglaterra

Não bastassem estes aspectos estratégicos, somaram-se fortes interesses econômicos imediatos pela posse de uma grande área marítima de 200 milhas no entorno das ilhas, o chamado mar patrimonial ou Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Nesta área a Inglaterra tem exclusividade para a exploração de recursos naturais como a pesca, o turismo ou a extração de petróleo e gás natural.

A perspectiva da exploração petrolífera se ampliou nos anos 1970, quando foram encontrados os primeiros indícios de petróleo na região. Entretanto, ainda eram reservas petrolíferas de difícil acesso, e o preço do barril do petróleo no iníciodos anos 1970 não passava dos US$ 2,00 ou 3,00. Foram necessárias duas crises do petróleo nos anos 1970  para mudar radicalmente este quadro.

A conjuntura da  Guerra das Malvinas em 1982

A Guerra das Malvinas, em 1982, ocorreu após quase uma década de crise petrolífera mundial, quando o mundo sofrera as consequências da crise petrolífera de 1973 e voltara a sentir os duros efeitos do aumento repentino do preço do petróleo, na crise de 1979-1980. Esta crise foi resultante da Revolução no Irã (1979) e da subsequente eclosão da Guerra Irã-Iraque (1980).  Os preços do barril tiveram um pico de mais de US$ 40,00 em 1981-1982, e no ano seguinte estavam na faixa dos US$ 30,00/barril.

 Tropas inglesas nas Malvinas

Isto contribuiu para que a Inglaterra decidisse travar uma guerra de grandes proporções com a Argentina, deslocando cruzadores, porta-aviões, bombardeiros estratégicos, submarinos nucleares  e milhares de soldados para o Atlântico Sul.  Margareth Tatcher teria, inclusive, ordenado o deslocamento de armas nucleares táticas para o cenário da conflagração. Como as armas nucleares inglesas eram, na prática, americanas, ficou subentendida a aprovação dos EUA, que na pior das hipóteses fizeram “vista grossa”. Quando questionada na Europa a razão de tal atitude, a Inglaterra teria argumentado que deslocava estas armas para o Atlântico Sul porque não sabia se a Argentina também não tinha armas nucleares, já que tinha um programa nuclear secreto.

Após a curta retomada das Malvinas pela Argentina, a União Européia – na época Mercado Comum Europeu -, iniciou um embargo comercial à Argentina, que incluiu tanto o bloqueio da importação de produtos argentinos como carne e trigo, como restrições para a exportação de determinados produtos, como armas, à Argentina. Em meio a uma batalha naval, a Argentina se viu impedidia de adquirir novos mísseis anti-navio, que o país não fabricava e dependia de fornecedores membros da OTAN.

Consequências da  Guerra das Malvinas e a conjuntura dos anos 1980 e 1990

As consequências imediatas da guerra todos conhecemos e são sempre lembradas pela mídia: acelerou o declínio da ditadura militar na Argentina, que colapsou em seguida.

 Soldados argentinos nas Malvinas em 1982

O Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) passou a ser considerado “letra morta” por muitos países latino-americanos, pois os Estados Unidos deixara claro que um membro da OTAN era muito mais importante do que um membro do TIAR. Até mesmo o México, país membro do NAFTA, acabaria por denunciar o tratado anos depois.

Outras consequências foram ainda mais profundas, para o bem e para o mal, algumas das quais perduraram por muito tempo. .

O receio de que os países da região se tornassem alvo das potências nucleares também mobilizou esforços da parte da diplomacia brasileira em favor da criação da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, visando declarar o Atlântico Sul uma zona desnuclearizada. Embora ainda não tenha resultado em avanços maiores, o tratado da ZPCAS ou ZoPaCAS, pode ser considerado a semente para uma futura organização regional que ajude a preservar um futuro de paz para a região.

O principal resultado positivo da guerra foi, se dúvida, a aproximação entre Brasil e Argentina. O Brasil, desde o início, se declarou favorável às reivindicações argentinas. Durante a guerra, o Brasil teria fornecido aviões-patrulha para ajudar a patrulhar as águas territoriais argentinas, o que na prática permitiu liberar mais aeronaves argentinas para atuarem no cenário do conflito.  O Brasil também dificultou a passagem de equipamento militar inglês rumo ás Malvinas. Como o Chile, tradicional rival da Argentina, forneceu apoio indireto e informações aos ingleses, o Brasil passou a ser visto como aliado na região.

Rumo ao Mercosul: Raúl Alfonsin, da Argentina (esq.), José Sarney, do Brasil, e Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai (à direita)

Com o embargo europeu aos produtos argentinos, o Brasil passou a comprar grandes quantidades de  carne, trigo e outros produtos produzidos por aquele país. O processo de aproximação  resultou em novos tratados, inclusive em um acordo nuclear bilateral, para fins pacíficos; passo fundamental para acabar com as desconfianças mútuas no plano político-militar. Este tratado ocorreu no contexto em que foram assinados uma série de tratados bilaterais no período dos Presidentes Sarney e Alfonsín. Estes tratados acabariam por resultar na criação do Mercosul.

Entretanto, na sequência, o acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos entre Brasil e Argentina foi relegado ao segundo plano. Nunca foi criada uma empresa binacional de energia atômica e os investimentos necessários para tal empreendimento nunca foram viabilizados. Sem cooperação de verdade, os dois países continuaram relativamente dependentes de tecnologias estrangeiras, de alto custo mas estratégicas para a manutenção de suas usinas nucleares ou para a construção de novas usinas.

Na prática os programas nucleares da Argentina e do Brasil foram paralisados nos anos 1990 devido ao corte de verbas para a área militar ou para áreas civis estratégicas, durante os governos neoliberais. Isto significou o fechamento ou atraso no desenvolvimento de uma série de tecnologias estratégicas de uso dual, como as áreas nuclear e aeroespacial, ou no setor de informática e computação, setores que representam grande peso na balança comercial destes países até hoje.

Como parte deste processo, nos anos 1980 a 1990, a indústria de defesa dos dois países foi desmontada, o que colaborou para encerrar todo um ciclo de desenvolvimento tecnológico autônomo que os dois países vinham tentando desenvolver ao longo do século XX.

No auge do ufanismo neoliberal dos anos 1990, muitos defenderam que o Brasil não precisaria mais ter Forças Armadas, pois o mundo pós-Guerra Fria seria pacífico e o país não teria inimigos. Bastava ser um país pacífico, não fazer mal a ninguém e ninguém faria mal ao Brasil. No maximo , diziam, o país deveria manter uma parte do exército, mas apenas para usar como força de polícia especial, de forma esporádica ou ocasional, como, por exemplo, para ocupar favelas no Rio de Janeiro. O resultado foi que muitos aceitaram este discurso liberal.: o país “desmontou” grande parte da sua capacidade defensiva, acreditando em um período de “paz e prosperidade” sob a hegemonia dos EUA. Além disso, foi desmontada  uma capacidade industrial já instalada em setores de alta tecnologia, que envolviam tecnologias de uso dual, muitas  ds quais o país levara anos para desenvolver em escala laboratorial, mas que nunca foram transformadas em produtos ou serviços que, finalmente, pudessem ajudar o povo brasileiro.

Conflitos em zonas petrolíferas e as mudanças na geopolítica do petróleo

Guerra do Golfo – 1991: Poços petrolíferos queimam em meio ao cenário de guerra

Entretanto, o mundo mudou rapidamente e o Brasil, mais uma vez, saiu perdendo. O mundo não entrou em uma era de paz kantina. O Sistema Internacional tem se mostrado progressivamente instável, na medida em que as grandes potências continuam dispostas a defender seus interesses, se necessário, por meio da força contra os mais fracos.

A instabilidade política tornou-se crescente no mundo, especialmente em regiões disputadas entre as grandes potências.

Oleoduto na Nigéria atacado por insurgentes separatistas

Essa instabilidade progressiva ficou mais clara em zonas petrolíferas, onde uma proliferaram infinidade de conflitos armados, guerras civis, separatismo, terrorismo e todo tipo de  insurgência armada, inclusive com a consolidação de “senhores da guerra” em países onde o Estado foi destroçado. Além disso, voltaram à cena internacional as guerras de ocupação proto-colonial, como no Iraque. Tornaram-se ainda mais claras as novas disputas internacionais pelo controle de reservas de recursos petrolíferos ou gasíferos, ao ponto de se estabelecer uma clara disputa estratégica pelo controle das rotas de passagem ou escoamento destes recursos através de oleodutos ou gasodutos.

Ao invés de tornarem-se excessão, as guerras e a instabilidade parecem ser a regra em regiões ricas em recursos naturais estratégicas mas sem Estados capazes de defender sua soberania política ou a cidadania de sua população.

É preciso planejamento para evitar que o Brasil seja afetado pelo conjunto de problemas que se convencionou chamar de “maldição do petróleo“, incluindo desde os problemas do câmbio sobrevalorizado, o chamado “Mal Holandês”, até os inúmeros tipos de conflitos armados em zonas petrolíferas. Para isso, é muito importante que as decisões políticas envolvendo a exploração petrolífera sejam transparentes, envolvam debates com toda a sociedade.  Afinal, as decisões que o Brasil tomar hoje sobre os rumos da exploração petrolífera, poderão impactar o país positivamente ou negativamente, por décadas. Por isso, o mais importante é que esses debates não sejam direcionadas pelos interesses das grandes corporações petrolíferas multinacionais, que, todos sabem, estão preocupadas única e exclusivamente com o seu próprio lucro.

O Brasil em tempos de pré-sal,  a Geopolítica do Atlântico Sul e as perspectivas para um futuro de escassez petrolífera

A camada “Pré-Sal”

A descoberta de gigantescas reservas de petróleo na camada pré-sal do litoral brasileiro, simplesmente pode atrair a cobiça internacional sobre as riquezas brasileiras em uma escala como nunca se viu antes. Há projeções que falam em mais de 100 bilhões de barris de petróleo no pré-sal, o que significa algo como um Kuwait ou um Iraque no nosso litoral. Por si só, isto já seria suficiente para modificar a geopolítica do Atlântico Sul.

Não é difícil imaginar o que poderá acontecer se novas descobertas deste tipo, forem feitas em formações geológicas semelhantes ao nosso pré-sal (bacias petrolíferas abaixo de camadas de rochas salinas), em outros locais do Atlântico Sul, tanto no litoral da América do Sul, como da África.

Isto é mais um elemento que nos ajuda a entender porque o Brasil simplesmente não pode esperar que o mundo se torne mais pacífico em um futuro próximo. Menos ainda acreditando que isto, como por mágica, tornaria a América do Sul e  o Atlântico Sul regiões mais pacíficas.

HMS Invincible: Porta-Aviões inglês utilizado durante a Guerra das Malvinas

Ao contrário, com o esgotamento das reservas petrolíferas mais antigas e de mais fácil acesso – o  fim do petróleo barato -, e o aumento da demanda energética dos países emergentes, a perspectiva da escassez petrolífera relativa, mas em escala global, torna-se sobria para um futuro não tão distante, como 2015, 2020 ou 2030.

Afinal, quem pode garantir que, em um cenário destes, por volta de 2025, uma potência emergente qualquer, alegando razões de Segurança Energética e de Segurança Nacional, não acabe decidindo, de uma hora para outra, que “precisa” das enormes reservas de petróleo do pré-sal brasileiro a qualquer custo? Basta projetar uma situação meramente hipotética, para imaginarmos o que significaria para o Brasil uma ameaça vinda de uma potência emergente mas com grande capacidade bélica.

Blocos de exploração petrolífera nas Malvinas

Imaginemos, por exemplo, que, um país como a Índia, que hoje já tem armas nucleares, e que, neste caso hipotético,  poderá ter em 2025 ou 2030 uma grande marinha de guerra, com vários porta-aviões e submarinos lançadores de mísseis nucleares. Apenas para ilustrar este exemplo fictício, segundo algumas projeções, em 2025 a Índia terá cerca de1,5 bilhão de habitantes, possivelmente o 5º ou 6º PIB mundial. Este país vai depender ainda mais do que já depende na atualidade, de petróleo e gás mineral importado. Possivelmente  estará importando algo em torno de 90% do petróleo que irá consumir. Sob certas circunstâncias de escassez petrolífera global, um chefe de Estado indiano, por exemplo, de um partido radical religioso ou fundamentalista hindu, ficaria muito tentado a dizer que recebeu instruções de qualquer um dos mais de 5 mil deuses do país, para exigir o petróleo brasileiro para o seu país , pois afinal de contas, está no mar, não em território brasileiro.

Com certeza, em 2025, o Brasil será rico em petróleo, mas não temos como saber se o país terá capacidade de defesa contra uma ameaça de tal natureza.

Plataformas petrolíferas do Irã no Golfo Pérsico, atacadas pelos Estados Unidos em 18 de abril de 1988

O grande problema é que não é possível prever o que acontecerá em 2020, 2025, ou 2030, quando qualquer uma das grandes potências mundiais de então, poderá ter capacidade militar para ameaçar o Brasil e  pode querer se aventurar na tentativa de tomar nossas riquezas, como as grandes reservas de água, a Amazônia ou o petróleo do pré-sal.

O problema é que se o Brasil não possuir uma capacidade defensiva minimamente compatível com a necessidade de garantir sua soberania e o bem estar do seu povo, poderá se tornar presa fácil das pressões e chantagens das grandes potências. Isto porque não é necessário nem ao menos uma invasão do território continental para causar grandes danos ao país, o simples ataque à infra-estrutura petrolífera em alto-mar já seria catastrófico, e há exemplos históricos deste tipo de acontecimento que não pode ser ignorados.

Embora esse seja um cenário poco provável, e muitas vezes parecer apenas mais um devaneio, sabemos que a Inglaterra foi à guerra  para preservar o controle de uma reserva petrolífera em alto mar, no caso as Malvinas, distante de seu território e cujo volume das reservas de petróleo não se sabe ao certo até os dias de hoje. O que isto poderá significar para os países do sulamericanos e africanos que têm reservas sabidamente gigantes de petróleo em alto mar?

A Brasil do Pré-Sal e o futuro da integração sul-americana

Contudo, com o aprofundamento da integração regional, tanto no âmbito da Mercosul como da UNASUL, é possível esperar que a cooperação  regional crie novas dificuldades para as ambições imperialistas das grandes potências.

Também é possível esperar que a cooperação Brasil-Argentina em áreas estratégicas seja retomada em larga escala. A retomada da cooperação nuclear para fins pacíficos e, quem sabe, a criação de um programa espacial conjunto, seriam iniciativas fundamentais para alavancar o desenvolvimento tecnológico desses países que hoje formam o “núcleo duro” da integração sul-americana.

É preciso avançar na cooperação tecnológica, pois grande parte das tecnologias de ponta é de uso múltiplo, e além de fortalecer o país no campo estratégico, aumenta a geração de emprego e renda. Iniciativas como a construção de um  submarino brasileiro-argentino, poderiam permitir a fabricação de equipamentos deste tipo em escala. A escala de produção de qualquer produto continua sendo necessária para baratear o processo produtivo, e neste caso, o produto é vital para a defesa do litoral de ambos os países contra ameaças extra-regionais.

Submarino brasileiro no Rio de Janeiro

O mesmo seria válido para a cooperação na fabricação de aeronaves, tripuladas ou não, ou  de mísseis  anti-navio, que seriam de valor absolutamente estratégico para os dois países n o caso de um confronto com uma potência naval superior. Além disso, o processo de desenvolvimento conjunto de produtos de ponta, ajudaria a integrar as indústrias de alta tecnologia dos dois países, fortalecendo ainda mais o processo de integração sul-americana.

Uma opção interessante seria a criação de programas de cooperação na indústria de bens de produção, por exemplo, na fabricação de turbinas, motores e geradores mais limpos e eficientes, por exemplo, movidos a biocombustíveis. Motores a Células-combustíveis e turbinas movidas a combustíveis mais limpos, de fabricação regional teriam um duplo impacto na economia e na sociedade: além dos benefícios ambientais, trazem claros resultados sociais, na medida em que geram tecnologia, emprego e renda.

Fábrica de semicondutores para painéis fotoelétricos na China

O mesmo é válido para áreas estratégicas como a fabricação dos materiais semicondutores utilizados na produção de painéis com células fotovoltáicas, ou de materiais supercondutores que podem viabilizar o aumento da geração de eletricidade e reduzir significativamente as perdas na transmissão de eletricidade.

A cooperação no ramo petrolífero também é fundamental. É preciso criar uma nova empresa petrolífera sul-americana, que permita a esses países se beneficiarem da economia de escala da produção para para o mercado sulamericano, ao mesmo tempo em que se viabiliza uma escala de investimentos ainda maior, para grandes investimentos em infra-estrutura, que nenhum destes países conseguiria sozinho.

Indústria Naval brasileira: milhares de empregos criados para atender a demanda da Petrobrás

Isto pode ampliar também a integração da indústria naval destes países, um dos ramos da indústria pesada que mais gera novos empregos na atualidade. A integração destas indústrias, assim como as cadeias produtivas ligadas ao fornecimento de bens e serviços ao setores petrolífero e energético,  resultaria na geração de mais empregos na região, com uma vantagem sobre outros setores, geralmente são empregos mais qualificados e que pagam melhor os seus funcionários.

Uma nova empresa petrolífera sul-americana poderia garantir que os equipamentos, dutos, navios e plataformas tivessem peças fabricadas necessariamente nos países da América do Sul. Também permitiria consolidar a liderança destes países na exploração e extração de petróleo em águas ultra-profundas, com foco no Atlântico Sul. Esta capacidade industrial-tecnológica daria grande vantagem competitiva ao conjunto desses países, mas também facilitaria a manutenção da soberania sobre as áreas petrolíferas localizadas em alto mar. Hoje a única empresa sul-americana competitiva neste ramo é a Petrobrás, que já está  procurando áreas do tipo pré-sal no litoral africano. Contar com uma mega-empresa sul-americana, apoiada em várias empresas dos países da região, seria uma forma de fortalecer a integração regional em um patamar qualitativamente bem superior.

http://www.getech.com/interpretation/South_Atlantic_Margins_Brochure_A4.pdf
Bacias Sedimentares no Atlântico Sul – fonte: Getech – Geodynamics and Petroleum Geology of the South Atlantic Margins

Por enquanto é difícil saber se a camada de rochas do tipo pré-sal, possivelemente existentes na Bacia Sedimentar das Malvinas,  tem grande potencial petrolífero.  Mas mesmo que não tenha muito petróleo nas rochas pré-sal, as reservas já encontradas na camada pós-sal parecem ser grandes o suficiente, ao menos para despertar os interesses e a cobiça de um país como a Inglaterra. Esta potência decadente, que já esgotou quase todo o seu próprio petróleo , extraído das outrora grandes reservas do Mar do Norte, deixaou de ser um país exportador de petróleo para tornar-se novamente um importador. O curioso é que a Inglaterra exportou grande parte do seu petróleo nos anos 1990, quando o preço  variava em torno de US$ 15,00/barril, e tornou-se novamente um país importador na atual década, em que o petróleo tem se mantido acima dos US$ 40,00, atualmente na faixa dos US$ 75,00.

Integração energética sul-americana: infra-estrutura de oleodutos e o papel da PetrobrásIntegração energética sul-americana: infra-estrutura de oleodutos e o papel da Petrobrás

A Argentina sozinha não tem força política ou econômica para mudar o status de colônia britânica a que estão submetidas as Malvinas. Embora  o Comitê de Descolonização da ONU atualmente classifique o território como ocupado, ou sem governo próprio, dificilmente a Inglaterra irá descolonizá-lo apenas por pressão de declarações do governo argentino.

Mas esta seria uma excelente oportunidade para que a UNASUL mostrasse unidade em torno de um tema que já é concenso em toda a América Latina: que as Malvinas pertencem à Argentina e não à Inglaterra. Além das declarações já emitidas pelo Cúpula dos chefes de Estado da América Latina e do Caribe nesta direç]ão, seria fundamental ma declaração conjunta do Conselho de Segurança da UNASUL. Acompanhado de medidas práticas, como restrições coletivas às empresas petrolíferas que extraírem petróleo nas Malvinas ocupadas, este tipo de atuação multilateral pode alterar o peso político da América do Sul nesta questão.

É importante que os países da região criem mecanismos para situações mais extremas, que exigam respostas mais duras do que declarações, como sanções comerciais. Se a Argentina impõe  unilateralmente sanções comerciais às empresas petrolíferas inglesas que estão extraindo petróleo das Malvinas, o resultado pode ser pequeno, ou se voltar contra a os argentinos. Mas se todos os países membros do Mercosul ou Unasul impõem sanções comerciais deste tipo, pode ser suficiente para inviabilizar o projeto inglês de explorar o petróleo desta região sem a participação argentina.

É pouco provável que a atual crise em torno das Malvinas resulte em uma nova guerra. Mas isto não significa que o Brasil pode descuidar do seu futuro.

De uma forma ou de outra, o futuro do Brasil estará profundamente ligado ao futuro da América do Sul, assim como o futuro da Petrobrás está ligado ao desenvolvimento do pré-sal. O Brasil tem uma oportunidade ímpar em sua história: a disponibilidade de um recurso estratégico que o país tem plena capacidade tecnológica e econômica para desenvolver, com tempo e recursos humanos suficientes para planejar utilizá-lo da melhor forma possível.

O petróleo tem que ser nosso!Campanha  “O Pré-Sal tem que ser Nosso!”

Pela primeira vez o país pode planejar o uso do pré-sal de forma estratégica, para que sua exploração resulte em benefícios para todo o povo brasileiro, mas também para as futuras gerações, ao mesmo tempo em que pode  fortalecer os laços com os países vizinhos, consolidando de tal forma a integração sulamericana que esta não possa mais regredir quando vierem novas crises.

As primeiras  linhas desta história o país está escrevendo hoje, nas discussões que resultarão na Nova Lei do Petróleo, que integrará um novo marco regulatório para o petróleo no Brasil.

Este é o passo inicial para garantir a soberania sobre os recursos petrolíferos do país. Soberania esta, que é premissa fundamental para que possamos utilizar estas riquezas em prol do nosso povo, para a geração de emprego e distribuição de renda, para investir em educação, saúde, tecnologia e infra-estrutura de energias mais limpas e transportes mais eficientes. Ou seja, é a oportunidade para criar um novo tipo de desenvolvimento, socialmente e ambientalmente mais sustentável, que ajude a melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro e dos povos irmãos da América do Sul.

Lucas Kerr de Oliveira

Publicado no jornal online "Pare o Trem" (6ª edição): http://pareotrem.com/6-edicao/politica-internacional-2/
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Marinha realiza Operação Marlim Azul/ADEREX-I/10, na região do pré-sal

15 de março de 2010

Blog Poder Naval

15/03/2010

Operação Marlim Azul/ADEREX-I/10, entre Santos e Vitória

http://www.naval.com.br/blog/2010/03/15/operacao-marlim-azuladerex-i10-entre-santos-e-vitoria/

Corveta Jaceguay V-31 da classe Inhaúma


A Esquadra Brasileira realizará a Operação Marlim Azul/ADEREX-I/10, entre os dias 15 de março e 2 de abril, na área marítima compreendida entre Santos-SP e Vitória-ES, com visita aos portos de Santos e Vitória.

Nessa área marítima estão localizadas significativas reservas de petróleo e gás, além de importantes portos, que constituem o maior complexo portuário da América Latina.

A Força Naval será comandada pelo Contra-Almirante Ilques Barbosa Junior, Comandante da 2a Divisão da Esquadra (ComDiv-2).

Os seguintes meios participarão da operação: Fragatas “Niterói” (F40), “Defensora” (F41), “Constituição” (F42) e “Bosísio” (F48), Corvetas “Jaceguai” (V31) e “Frontin” (V33), Navio-Tanque “Almirante Gastão Motta” (G23), Submarinos da Classe “Tupi”, Navio-Patrulha da Classe “Grajaú”, Rebocador de Alto-Mar “Almirante Guilhobel” (R25), Aviso de Apoio Costeiro “Almirante Hess”, aeronaves AF-1 “Skyhawk”, helicópteros AH-11A “Super Lynx”, UH-12 “Esquilo” e SH-3A/B “Sea King”; além de lanchas do Grupamento de Mergulhadores de Combate, e das Capitanias dos Portos do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Espírito Santo.

Corveta Frontin e Navio Tanque Gastão Motta
Corveta Frontin e Navio Tanque Gastão Motta

A Força Aérea Brasileira tem previsão de participar da operação empregando aeronaves P-95, F-5 e A-1.

Durante a operação, serão realizados exercícios e fainas marinheiras relacionados com o incremento e a manutenção do grau de aprestamento de parcela dos meios da Esquadra, que aperfeiçoam o preparo e o emprego do Poder Naval.

Serão realizados os seguintes exercícios durante a Comissão:

* Navegação em águas restritas sob ameaça assimétrica;
* Navegação em canal varrido;
* Apoio de Fogo Naval;
* Tiro de Superfície sobre Alvo Rebocado;
* Tiro em proveito das aeronaves da MB e da FAB sobre alvo rebocado;
* Tiro de superfície (canhão de 40 mm) sobre alvo rebocado;
* Tiro Anti-Aéreo contra balão;
* Tiro Anti-Aéreo (canhão de 40 mm) noturno sobre granada iluminativa;
* Exercício de lançamento de armas Anti-Submarino (A/S);
* Trânsito sob ameaça de superfície;
* Trânsito sob ameaça aérea;
* Transferência de óleo no mar (diurna e noturna);
* Transferência de carga leve (diurna e noturna);
* Manobras Táticas (diurna e noturna);
* Exercícios de comunicações radioelétricas e visuais;
* Exercícios de sabotagem; e
* Exercícios em proveito da Força Aeronaval:
* Qualificação e Requalificação para Pouso a Bordo;
* “Helicopter In-Flight Refueling”;
* Vôo librado utilizando guincho; e
* Faina de recebimento vertical de carga.

Durante a estadia nos portos de Santos-SP e Vitória-ES, serão realizadas Ações Cívico-Sociais (ACISO), com a doação de roupas e de sangue.

Nessas cidades, todos os navios da operação estarão abertos para visitação pública, com a exposição de aeronaves e de equipamentos utilizados nas operações aéreas, em combate a incêndio e no controle de avarias. Os visitantes terão oportunidade também, de participar do Cerimonial à Bandeira Nacional, realizado ao pôr-do-sol.

http://www.naval.com.br/blog/2010/03/15/operacao-marlim-azuladerex-i10-entre-santos-e-vitoria/
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Sistema flex fuel é a nova alternativa para a aviação geral

15 de março de 2010

CTA

15/03/2010

Sistema flex fuel é a nova alternativa para a aviação geral

http://www.cta.br/

A Divisão de Propulsão Aeronáutica (APA) do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a empresa Magneti Marelli Sistemas Automotivos, precursora do sistema flex fuel no mercado automobilístico brasileiro, oferecem uma nova aplicação à Aviação Geral no Brasil.

É o sistema flex fuel aeronáutico, que permitirá às aeronaves propulsadas por motor a pistão utilizar gasolina de aviação (avgas), álcool combustível (etanol) ou até mesmo qualquer mistura dos dois combustíveis.

A tecnologia será implantada em um motor de fabricação americana, o Lycoming 0-360 A1D, com potência nominal de 180 HP e, os ensaios em voo, realizados em uma aeronave AeroBoero 180, rebocador de planadores, pertencente ao Clube de Voo a Vela CTA (CVV-CTA). A previsão é de que os ensaios sejam iniciados em 2010.

“O projeto nasceu após alguns encontros que tivemos com o DCTA, quando fomos informados de que os custos operacionais dos aviões de pequeno porte da Aviação Geral eram extremamente altos devido ao elevado preço da avgas, chegando a se prever, em um futuro não muito distante, a inviabilização da mesma”, afirma o gerente comercial da empresa Magneti Marelli, Eduardo Campos.

No desenvolvimento do motor aeronáutico flex, dispositivos rudimentares dos motores convencionais, como carburador e magnetos, são substituídos por um novo sistema eletrônico de injeção de combustível e de ignição. “Conseguimos funcionar o futuro motor flex com o sistema de injeção eletrônica Marelli no lugar do carburador, com avgas, de maneira autônoma”, informa o gerente do projeto e chefe da subdivisão de Motor a Pistão da APA, Paulo Ewald.

“O mais importante será o sistema de gerenciamento eletrônico do motor, que permitirá ao mesmo funcionar com mais eficiência, e dará ao usuário a possibilidade de escolher o combustível, dependendo se ele quer desempenho, economia ou autonomia”, explica Ewald.

O esforço conjugado dos dois setores nacionais resulta no Sistema de Injeção SFS Flex-Fuel aeronáutico e representa a união de duas tradições tecnológicas no país. A APA realizou um trabalho pioneiro no Brasil e no mundo, nos idos de 1970 (quando denominada Departamento de Motores, no então Centro Técnico Aeroespacial CTA/PMO), comprovando o uso eficiente do álcool como combustível, enquanto a Marelli é precursora do sistema flex fuel desde 2003.

O engenheiro do IAE informa, ainda, que os próximos passos para o desenvolvimento do novo sistema serão o refinamento do débito de combustível e a inserção da ignição eletrônica em substituição aos magnetos. Segundo Campos, a Marelli está com a primeira versão do sistema, tanto de hardware, quanto de software, já concluída e montada no motor.

O gerente da Magneti Marelli explica que a empresa atua no desenvolvimento e na aplicação do SFS® nos motores aeronáuticos, ficando responsável pela certificação do sistema em si. A certificação da aplicação do sistema no motor e na aeronave seria feita por alguma empresa interessada, ligada ao setor aeronáutico. “Seria bom se tivéssemos uma empresa como a Embraer utilizando este sistema”, afirma Ewald.

“Assim como o Brasil foi pioneiro no lançamento do flex com a utilização do etanol em larga escala, contribuindo para uma independência energética e redução das emissões dos veículos automotores, tornando-se referência mundial, esperamos que o mesmo ocorra com o setor aeronáutico”, enfatiza Eduardo Campos.

http://www.cta.br/noticias/estrutura.php?id=92