h1

Operation Praying Mantis: em 1988 os EUA bombardeavam plataformas petrolíferas no Golfo Pérsico

18 de abril de 2009

18 de abril de 2009

21 anos do ataque americano à plataformas petrolíferas iranianas no Golfo Pérsico

No dia 18 de abril de 1988, a 21 anos atrás, os EUA bombardeavam plataformas petrolíferas iranianas no Golfo Persico, em represália à explosão de uma mina submarina do Irã, que danificou um navio americano, o USS Samuel B. Roberts, quatro dias antes. A mina teria sido colocada pelo Irã na região, por ocasião das disputas regionais envolvendo a Guerra Irã-Iraque. O ataque americano foi batizado de “Operation Praying Mantis” e destruiu duas plataformas petrolíferas iranianas.

Este é um caso de confronto militar que merece mais atenção e estudos por parte dos brasileiros. Este é um dos poucos episódios da história recente em que uma grande potência realizou um ataque militar à infra-estrutura de plataformas petrolíferas pertencentes a uma potência regional, sem ocupar ou invadir o país. Embora fizesse parte de uma grande  estratégia de isolamento político-diplomático do país petrolífero em questão e de simultânea militarização de toda a região do Golfo Pérsico, este caso é relevante pois:

(I) mostra o quanto este tipo de infra-estrutura estratégica é vulnerável a ataques estrangeiros, mesmo que não exista uma guerra declarada em andamento;

(II) fortalece a idéia de que são necessários mecanismos de proteção adequados para as plataformas petrolíferas offshore (localizadas em alto mar)

(III) amplia a necessidade de debate a respeito dos mecanismos de proteção ou defesa das riquezas petrolíferas localizadas em alto mar, incluindo os meios para aumentar rapidamente a presença naval e capacidade de cobertura aérea da região petrolífera em questão.

Quanto à capacidade naval, navios de superfície de alta velocidade e submarinos, parecem ser os mecanismos mais eficientes de garantir presença constante da Marinha na região petrolífera. A forma mais rápida de ampliar estas capacidades seria através da construção de navios de superfície rápidos, como torpedeiros leves, hovercrafts e  lanchas de alta velocidade. A capacidade aereonaval só pode ser rapidamente ampliada com sistemas mistos de aeronaves tripuladas e não tripuladas, embarcadas em terra, preferencialmente em diferentes bases aeronavais no continente ou em ilhas brasileiras do Atlântico Sul.  As aeronaves em questão podem ser tanto de vigilância, patrulha como para operações anti-submarino, mas seria necessário ao menos uma aeronave com capacidade para efetuar operações anti-navio.

Ecranoplano

Ecranoplano

Seria o caso de se pensar ainda em um equipamento novo, como os ecranoplanos, que dariam ao país capacidade de resposta rápida em praticamente qualquer área no entorno do pré-sal. Além disso, os ecranoplanos poderiam ter múltiplas funções civis, por exemplo, na guarda costeira poderiam ser utilizados para operações de busca, salvamento e resgate em casos de acidentes em alto-mar. Ou ainda, poderiam reduzir o tempo de deslocamento do transporte de pessoal e equipamento da Petrobrás, entre o continente e as plataformas petrolíferas. Considerando que o número de plataformas é cada vez em maior e cada vez mais distantes da terra firme, e que, o número de funcionários também tende a crescer, seria muito interessante apostar em um novo meio de transporte, mais rápido, com maior capacidade de carga e mais eficiente que os helicópteros atualmente utilizados.

Modelos maiores de ecranoplanos, do tipo cargueiro, poderiam, inclusive, ajudar a fortalecer o comércio de produtos perecíveis entre o Brasil e a América do Sul, ou a África. Provavelmente, isto viabilizaria ainda, que populações de regiões remotas do interior do país, vivendo onde não há portos ou aeroportos, mesmo assim pudessem exportar sua produção. Por exemplo, produtos perecíveis típicos de regiões como a Amazônia ou o Pantanal, poderiam ser comercializados em escala para outras partes do Brasil ou do mundo, sem a necessidade de obras de infra-estrutura, pois os ecranoplanos podem pousar em quase qualquer local onde exista um rio, lago ou represa. Isto ajudaria a fortalecer a produção de pequenos e médios produtores, que não precisariam viver do desmatamento ou de monoculturas de produtos exóticos àqueles biomas, pois o comércio de produtos típicos de suas respectivas regiões se tornaria mais viável do ponto de vista econômico e social. Modelos com turbinas movidas a biocombustíveis seriam ainda mais interessantes do ponto de vista econômico, ambiental e social. Mas, para isto, seria necessário apoio governamental, para que a indústria nacional consiga desenvolver linhas de produção de turbinas e aeronaves deste tipo, e produzi-las em escala, para que o empreendimento torne-se viável economicamente. Isto poderia começar com a aquisição de aeronaves pelos órgãos governamentais e empresas de capital aberto mas controladas pelo Estado, como a Petrobrás, ou seja, depende muito mais de decisões políticas.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: